quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Mesmo quando não há, à partida, nada que nos ligue. Que nos prenda. Há pessoas que conseguem ser. Simplesmente ser. Em nós. Em mim. E é tão bom. Por mais inexplicável que seja, é mesmo bom, senti-las crescer cá dentro. Quando não se pede nada. Apenas se recebe e se tenta dar algo em troca. O que o coração sente. Quando apenas se tenta retribuir isso. Apenas o que fazem com que o nosso coração sinta. E tantos e tão genuínos sorrisos. Acho mágico. E a magia em volta desta simplicidade ainda torna tudo tão mais especial.
Quando se guarda cada momento, com o mesma intensidade do primeiro e do ultimo, com tamanho cuidado para que se mantenham intactos. Para que por entre tanta volta que a vida dá não se perca nada. Nem um sorriso. Nem tão pouco um olhar. Quando se lembra daquele inesperado primeiro abraço e se consegue sentir uma qualquer cumplicidade que nasceu ali, sem colocar qualquer questão. Que ficou e foi crescendo. Moldando-se em mim de um modo apaziguador e aconchegante. Quando se olha para trás e se vê como ao longo do tempo esse abraço se foi tornando habitual, natural e imprescindível. Nosso.
Quando os olhares cruzados. Os sorrisos. O aceno. Bastam. Preenchem. Me deixam de coração cheio. Quando no fim, já sabemos que é um volto já, porque nem se mete em questão que não o seja.
Quando estamos juntas. Lado a lado. E somos cúmplices. É cumplicidade que faz quem somos e que liga todos os momentos. Tantos. Um a um. Porque cumplicidade é a essência. Sem ela as peças do puzzle não teriam encaixe possível. E esta cumplicidade. Minha. É nossa. Porque não existiria sem vocês. Obrigado. Por me darem sempre. Tanto.
...24.11.08 :)

domingo, 26 de outubro de 2008

Dias

Há dias e dias. Há dias em que me apetece desaparecer. Evaporar-me num sopro. Deixar-me ir pelo vento. Ser ar ou parte de coisa alguma. E depois, logo de seguida arrependo-me de ter desejado tal coisa, porque logo de seguida surgem os dias em que eu me sinto mesmo ar ou parte de coisa alguma e apercebo-me que esses, esses sim, esses são os piores dias.
Há dias em que a vida balança com uma força furiosa e incessante, como se me pusesse à prova numa corda bamba. Ela sabe tão bem que no meu dia-a-dia o equilíbrio que tenho já é tão pouco, que esta é só a sua maneira irónica de me mostrar como é tão fácil e como pode ser tão doloroso, cair.
Há dias em que a tristeza e o vazio se cumprem cá dentro de uma maneira atroz e avassaladora. Destroem tudo o que outrora foi construído, como uma brisa que passa e desmorona um frágil castelo de cartas. Arrancam pedaços que julgava eternos. Levam os sorrisos que um dia esbocei, os sonhos que sonhei e aqueles que não cheguei a sonhar. Fazem toda e qualquer luta parecer ridícula e inútil.
Há dias em que não sou nada, nem pertenço a ninguém. E outros em que tenho medo que isso seja realmente verdade.
Há dias em que morro. Morro dentro de mim. Só ‘por ser preciso. Nunca por chegar ao fim’.
E há depois o dia em que tudo isto passa. Não se sabe quando mas, a dada altura esse dia chega. E eu esperarei por ele, assim. Aqui.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sentidos

Por vezes exigimos em demasia daqueles que são nossos. Queremos vê-los dizer aquelas palavras que desejamos ouvir. Porque no fundo fazem-nos bem. Enche-nos o peito de orgulho a certeza de que também lhes pertence-mos. A certeza de que eles também nos sentem. E é bom ouvi-los dizer isso. É, de facto. Mas não será puramente ilusório? O que uma palavra bonita pode esconder atrás de si? Como podemos ter a certeza da sua veracidade? Sim, a resposta é fácil. Não há margem para desconfianças quando as pessoas que nos dirigem tais palavras são grandes em nós. Tão grandes que nos fazem confiar nelas de olhos fechados. É verdade. Mas não será isto completamente desnecessário? No outro dia, parei por um momento. Vi-me a sorrir, com um brilho no olhar, com pura magia a fazer bater o coração… e nesse momento a resposta a essa pergunta foi imediata: Não. Para que são precisas banais e gastas palavras, quando os nossos sentidos falam a língua do coração? Há maior certeza da força que nos liga alguém, do que a cumplicidade que nasce quando estamos juntos, com as tais pessoas? Sem dizer nada fazemos magia. Fazemos magia pura e simplesmente com aquilo que sentimos.

Um olhar. Quantas palavras seriam precisas juntar para recriar a força de um olhar? Acho que nem tal coisa seria possível. Um simples olhar consegue dizer bem mais. Tanto. Tenho a certeza que mesmo se estivesse num sítio longínquo, rodeada por milhares de desconhecidos… não tenho duvidas que saberia o exacto momento em que Aquele olhar me encontraria. Sente-se. Uma força vinda não se sabe de onde, que nos prende. E não nos deixa descansar enquanto não o encontramos. Enquanto não o cruzamos com o nosso. E quando isso acontece, por mais repentino que possa ser, para nós pode durar eternidades. Perdemo-nos por entre todas as emoções que nos inundam em turbilhão. Mergulhamos o mais fundo que conseguimos naquele olhar. Bebemos da pessoa e deixamo-la beber de nós. E assim eternizamos o momento. Fazemo-lo nosso.
Serão precisas palavras quando trocamos aquele olhar cúmplice com um nosso cúmplice? Quando um simples olhar nos desvenda o que a outra pessoa está a pensar e até mesmo a sentir? Quando sabemos que ao retribuir esse olhar com um nosso, isso nos deixa com uma transparência tão frágil que nos faz tremer. Quando esse olhar, esse momento nos dá a certeza que não são precisas palavras… Que os dois olhares que se cruzaram já não existem e deram lugar a um só. Que as duas pessoas se esqueceram que o são. Se esqueceram da sua individualidade, para passarem a ser uma só. Uma só pessoa. Há magia maior?

Entrelaçar de dedos. Como é que uma coisa tão pequena pode mexer tanto, cá dentro? Quando o fazemos é porque confiamos nesse alguém. E confiamos de tal modo que podemos ir até onde esse alguém quiser, até onde nos guiar. Libertamo-nos de todas e qualquer corrente que nos possa prender. E vamos. Sem duvidas. Questões. Medos. Anseios. Vamos sem hesitar. Porque a confiança nos permite. Porque podemos fechar os olhos e ir. Sem mais nada.
Ou então damos as mãos porque queremos que seja sempre assim. Pela vida fora. Estarmos perto. Em segurança.

Um abraço. Uma pessoa que me conhece bem demais, chamava-me para me irritar ‘Ana Catarina, a menina dos abraços’ e eu ria-me porque sabia tão bem que era e é verdade. Sempre tive uma fascinação qualquer por abraços. Para mim não há coisa melhor. Não há magia maior nem mais apaixonante do que o momento em que abres os braços. Recebes e és recebido. Te entregas à outra pessoa sem restrições. E o Mundo pára. Com as pessoas certas o mundo pára. E a maior procura da tua vida é encontrar essas pessoas, que fazem o Mundo parar no momento do abraço. Pensar que essas pessoas são as que te vão segurar quando estiveres a cair, as que vão passar a vida a teu lado, é um engano. Nem sempre é assim. E a magia do abraço nasce mesmo aí, quando este te prende a pessoas que tu nunca imaginaste. E falo porque sei. Porque já o vivi uma e outra vez, sem ter pedido nada para tal. É uma sensação única quando uma pessoa que pouco te conhece, vem direita a ti de braços abertos. Quando abraças alguém, permites que a outra pessoa retire para si um pedaço teu e tu bebes um pouco da essência da outra pessoa. Passas a ser um pouco dela e a vê-la existir em ti. Só porque sim. Nem todos os abraços são assim. Nem há uma altura em que pedes à pessoa que assim seja. Porque queres. Porque ela quer. Ou porque há necessidade. Não. Esses abraços nascem, assim. Pronto. Só te resta senti-lo. Agarra-lo. Guardá-lo para sempre. Porque nunca saberás quando o vais voltar a sentir de novo. E só isto explica o facto de pessoas que até então te eram indiferentes, passarem a fazer parte de ti sem sequer te pedirem autorização. Só isto explica a certeza que nasce a seguir ao abraço. A certeza de que de repente ficaste mais e melhor. A certeza de que mesmo que nunca mais as voltes a ver, vais trazer para sempre essas pessoas contigo, num local bem junto do coração.
E ainda existem os abraços daqueles que amas e que sabes que estarão sempre do teu lado, mesmo podendo estar longe. E não são estes os mais importantes? Claro que sim. Aquele abraço que sela a união. A cumplicidade. O entendimento. O abraço que destrói muralhas e cura uma ferida chamada saudade. Que ergue castelos de areia esquecidos pelo tempo e faz do frágil, forte e resistente. Que apanha pedaços teus que foram caindo pelo caminho. Recolhe-os e reconstitui-os numa exacta perfeição. São estes abraços que te lembram sempre quem és, quando o mundo inteiro se esqueceu. São estes abraços que tornam o mais pequeno pormenor no mais importante e essencial.
Às vezes dou por mim a pensar e com a certeza de que se me abraçarem, mesmo que eu esteja de olhos fechados e o abraço for familiar, eu conseguiria distingui-lo. Só pela forma. Pela força. Pelas borboletas na barriga. Distinguiria sem hesitar. Porque esses abraços, os que ficam para sempre, não são iguais. Nunca são iguais.

E perante isto tudo resta-me a certeza de que palavras são puramente desnecessárias e nunca terão a dimensão de um olhar, um entrelaço, um abraço, um gesto, um momento. Instantes que te fazem tirar os pés do chão sem te perguntares como, sem tão pouco quereres saber porquê.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Preciosos instantes

"Pergunto-me se, no fim de contas, a vida não será pontuada por pequenos instantes preciosos, e tudo o resto não passará de intervalos entre esses instantes"

É. Também acho que sim. Que somos feitos de pequenos momentos. Pequenos instantes preciosos. Que se colam a nós e nos fazem ser. Realmente ser por dentro. São aqueles momentos que guardamos na mais preciosa caixinha que todos construímos um dia e guardamos nos confins do nosso coração para que ninguém a alcance. Sim, porque há coisas que são nossas. Simples e apenas nossas. Que só nós sabemos que guardamos. Algumas guardamos com a mesma intensidade com que as vivemos ou até com uma intensidade maior porque, à intensidade do momento junta-se a intensidade das saudades. E elas conseguem ser tão fortes. Há saudades destruidoras, mas eu esta não a considero assim.

Esta é aquela saudade tão forte que nos consegue fazer viver tudo de novo. Num simples fechar de olhos estamos ao alcance de um toque, envolvidos na magia de um sorriso, presos na força, na ternura de um abraço, vulneráveis ao sentir o bater do nosso coração rasgar-nos o peito. E depois, quando voltamos a abrir os olhos, é bom. Sentir que as coisas aconteceram, mesmo. Por maior que seja a saudade e o aperto que pode trazer com ela, nada é maior do que o brilho desses momentos. Nada é melhor do que vê-los escritos nas nuvens, vê-los perfeitos a serem escritos numa história, na nossa história. Orgulharmo-nos disso.

Nem sempre ao vive-los temos a percepção do quão importante é o momento, da intensidade da marca que deixará da nossa vida. Mas fica sempre a certeza no final do dia. Quando restamos nós. O escuro. O silencio. E quando nos deparamos com aquele sorriso. Um sorriso inteiro, que preenche. Quando olhamos para as nossas mãos e podemos sentir, ver lá um mundo por inteiro. Quando respiramos fundo ao pensar que valeu a pena. Vale sempre.

Acho que vivemos para isto. Simplesmente para sentir nascer a magia destes momentos. Senti-la em nós. Como uma força que nasce, não se sabe bem de onde. Que nos ajuda a viver nos intervalos. Que nos faz querer ser mais e melhor. Simplesmente dignos destes momentos. Eu não tenho duvida nenhuma de que vivo para esses pequenos instantes. Pequenas estrelas brilhantes que ficam cravadas no coração. Vivo para as pessoas que me proporcionam tamanha magia ou que a vivem e a respiram comigo. E agradeço-lhes tanto por cada coisa que fazem por mim. Por me fazerem sentir especial. Por estarem ao meu lado. Por me fazerem ser, simplesmente. Sem pedirem mais nada em troca.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Marcas

O tempo não é de ninguém. Nem ninguém é do tempo. Porquê? Porque ele passa por nós a uma velocidade alucinante e é impossível agarra-lo. Faze-lo nosso. Mesmo quando o tempo custa a passar. Quando as horas, minutos e segundos não passam. Quando os relógios parece que param. Todas essas sensações são tão puramente ilusórias. Por pior, ou melhor que seja o momento, a duração dele cinge-se a um breve piscar de olhos. Quando resolves abrir bem os olhos para te aperceberes do que realmente está a acontecer, o momento já passou. E quando nos apercebemos que não podemos ser donos do tempo, decidimos ser donos dos momentos. E isso sim, nós já podemos. Porque os momentos são nossos. Realmente nossos. São eles que se colam como se fossem peças de um puzzle. São eles que nos fazem por dentro.

Eles deixam-nos brincar ao faz-de-conta. Como? Quando os eternizamos. Quando eles ficam para sempre. E nós aí, fingimos que somos, ou que já fomos donos do tempo. Quem é que não guarda um tempo ‘seu’? Quem é que nunca disse ‘aquele foi o meu melhor tempo’ ou ‘bons tempos’. E é bom quando assim é. Mas, acho que melhor ainda é puder dizer ‘aquele foi o nosso tempo’. Poder dizer isto de olhos fechados. De sorriso rasgado. De mãos dadas. É mesmo bom. Significa que alem de momentos, somos feitos de pessoas. Pessoas que ficaram, não se limitaram a passar por nós. E quando assim é, os momentos ficam muito maiores porque são eternizados por gestos. Fazem-nos muito mais bonitos e maiores, porque daí nasce algo que nos une. Une-nos às pessoas. E os momentos deixam de ser ‘meus’. Passam a ser ‘nossos’. É bom podermos exibi-los e faze-lo só porque nada nos impede. Porque são mesmo nossos. É bom recordá-los juntos. Uma e outra vez. Sem os gastar. Recordá-los para nos certificarmos que existiram mesmo. Que nada foi esquecido. É mesmo um orgulho tão grande puder fazer isto. Ter com quem o fazer.

Às vezes dou comigo a pensar que sou estranha. Se calhar sou mesmo, mas não sou a única. Não sou a única com os meus medos, anseios, perguntas. Ontem fizeram-me duas perguntas ‘Quantos amigos verdadeiros tenho eu?’ ‘Como é possível lidarmos com certas pessoas todos os dias e termos relações tão vazias?’ eu parei e sorri. Como é que eu podia responder às minhas próprias dúvidas? Amizade, acho que as pessoas já brincaram tanto, já abusaram tanto dela que o seu significado já se perdeu por completo. Agora se queremos que ela signifique alguma coisa temos que pegar nela e moldá-la a nós. Moldá-la conforme aquilo que queremos que ela seja. Para nós. E respeitar o facto de cada pessoa poder dar-lhe um significado diferente. Diferente do nosso. O que nem sempre é fácil. Amigos verdadeiros? Contam-se pelos dedos das mãos. Isto é quando os dedos de uma não basta. Distingui-los é fácil, mesmo que às vezes pareça que não. Os amigos verdadeiros, para mim, não são os que me fazem sorrir. Não. Isso qualquer pessoa é capaz. (Logo a mim :P) Um amigo verdadeiro é aquele que me consegue magoar a serio. Deixar aquela dor que sufoca. Porque faz mesmo parte de mim. Daquilo que sou. Porque aqueles que não são verdadeiros, não têm capacidade de magoar. Quando muito podem chatear. Fazer um arranhão. Mas fazer doer? Isso não.

O que vale mesmo a pena perceber é que cada pessoa tem o seu espaço. Vale por si só. Marca-nos. Muda-nos. Não importa muito o tipo ou a força das relações que temos com elas. Até porque essa força não existe por si só. Vai crescendo com os dias. Com os momentos. Cresce quando vale a pena, porque aí nós fazemo-la crescer. Lutamos para isso. Cresce quando o tem de ser. O importante é saber o lugar. O que cada pessoa é para nós. O que queremos que cada pessoa seja na nossa vida. O lugar que queremos (lutar para) ocupar na vida de cada uma delas.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Turbilhão

Paro. Respiro fundo. E deixo-me estar. Ficava assim eternidades se pudesse. Se me deixassem. Mas enquanto eu estou parada a vida corre lá fora. Corre e chama por mim. E eu vou. Corro com ela num ritmo louco e alucinado. Alucinado de mais para eu conseguir acompanhá-la de perto.

O cansaço foi-se acumulando e agora que me pedem um ultimo esforço é difícil arranjar forças para estar minimamente à altura dele. Tento arranjá-las nem sei bem onde e é frustrante ter a percepção de que não vou estar no meu melhor. Não vou estar nem estou porque sou atraiçoada todos os dias. Pelo cansaço. Pela memória. Pelo cansaço que não me deixa cumprir os objectivos diários. Pela memória que se me esvai por entre os dedos como uma brisa que pesa quando vai. Quando foge. E fica o medo. E é tanto o medo de falhar. De não conseguir.

Já pensei em parar. Desistir. Fica para depois. Mas agora com a caminhada que já fiz, não se volta atrás. Agora vai-se até ao fim. Seja ele qual for. Eu só peço um final. Mas procuro. Anseio. Suplico em sussurro pelo meu final feliz.

Só quero poder parar. Poder estar em silencio. No mais profundo silêncio sem ninguém a chamar-me. A lembrar-me que a vida não pára. Anseio por aqueles momentos em que ela pára sim. E em que resto eu. E por aqueles em que restam eles também. Os importantes. Anseio por juntamente com eles encher cada momento de sorrisos. Risos. Entrelaços. Abraços. Anseio por matar cada pedaço de saudade. Desta saudade que corrói.

Anseio por cumplicidade. Pela nossa. Por mãos dadas. Eternamente entrelaças. Por escrever com todo o cuidado mais um pedaço de nós. Do que somos.

Mas a altura ainda não é de paragem, mas sim de suor. Resta-me continuar o caminho na espera do que este me reservará.

domingo, 6 de julho de 2008

Sonhos em sussurro

Sonhos em sussurro. Há quem me ache uma sonhadora nata. Eu cá, também acho que o sou. Acho que ainda não vivo neste Mundo. Vivo no outro. No Mundo do faz-de-conta. Na verdade, toda a gente tem o seu. Todos temos um Mundo só nosso. Um Mundo que pintamos com cores. Com as nossas cores.
O meu já deixou de ser cor-de-rosa. E sabem? Prefiro assim. Porque agora posso enche-lo de cores. Com as minhas cores. Cores berrantes que chocam. Cores florescentes que fazem arder a vista. Outras mais suaves que prendem. Fazem querer ficar. E no fim de contas são dessas cores que eu vivo. Vivo da azáfama. Do nervoso. Da loucura. Da adrenalina de cada dia. Vivo do silêncio. Do sussurro. Do segredo segredado. Do olhar envolto em cumplicidade. Do abraço apertado que transborda sentimentos, emoções. De todas as pessoas bonitas que me prendem e preenchem todos os dias. E tão bonitas que elas são. É disto que vivo. De cada peça de sonhos em que vou tropeçando e que guardo. Uma a uma. Para no fim construir o puzzle. O meu puzzle. E tentar faze-lo bonito. É disto que este blog vai ser feito. De sonhos sussurrados. E será com as minhas cores que o irei pintar.

E para quem já está a levar as mãos à cabeça e a pensar ‘Oh não! De volta aos testamentos!’ LOL agradeçam-lhe a Ela que me andou a moer o juízo, a chamar invejosa e tudo e mais alguma coisa xD já te disse que me fazes bem? Que es tão importante? <3
Bem vinda eu. Bem vindos vocês a este novo refugio =) *