Gosto. Gosto mesmo. Gosto e gostava de não gostar. De pelo menos não gostar tanto. De não me sentir tão parte de tudo. De não sentir tudo, tanto cá dentro. É inexplicável a maneira como se vive. Tanto. E como marca. A maneira como se é tanto, sem o conseguir evitar. É fantástico como aquela sensação de pequenez, nos faz no fim, tão grandes. E ainda bem que não correu logo bem. Ainda bem que não correu logo, tudo, bem. Ainda bem que nos decepcionamos. E conformamos. Quisemos acreditar que sim. E vivemos aquele friozinho na barriga, sem a pressão do nervosismo, porque não havia razão para tal. Sorrimos e rimos, porque sim. E de repente, não acreditamos. E víamos o que sentíamos no olhar, uns dos outros. Só o olhar. Só o brilho e a inquietação. Só a expressão. Não precisávamos de mais. E decifrávamos o resto dos olhares, para absorvermos tudo o que se passava, sem deixar escapar nada. E vivíamos cada palavra. Cada movimento. No fim, já não sabíamos onde estávamos. De onde tínhamos vindo. Para onde íamos. E riamos, muito. Quisemos fazer o que não era suposto. Rimo-nos de superstições. Respeitamo-las e rimos. Se a experiencia marcou, a forma como a vivemos foi inesquecível. E fica, para sempre. Gosto. Mesmo. Gosto tanto. E faz tão parte.