Expectativa. É inevitável e incomodativa. Prende-se. Cola-se a nós. Por mais que a recusemos, ela impõe-se. Torna-se a base do que pensamos. Sentimos. Idealizamos para o depois. Tornamo-nos dependentes, quando o que esta nos traz de mais certo é dúvida, incerteza e erro. Projectamos ‘o amanhã’, na base do que vivemos ‘ontem’. E esquecemo-nos de que cada momento que passou, deixa de ser o que efectivamente foi, para se misturar com o que relembramos dele, com os sentimentos despertados, que ficaram. E haverá coisa mais duvidosa do que aquilo que sentimos?
E depois esperamos sempre dos outros, sempre. E mesmo que tentemos esperar, com o máximo esforço, apenas o imprescindível, o provável, o necessário, mesmo assim, esperamos sempre demasiado. E a desilusão é sempre inevitável. Sempre. E somos, na maioria das vezes, nós mais culpados do que quem nos acaba por desiludir. Porque não há pessoas diferentes. Não há pessoas assim tão diferentes e devíamos saber isso. E nem pode haver quando as pessoas têm por base a mesma sociedade limitadora, preconceituosa, discriminatória e rotuladora. E por mais que eu acredite verdadeiramente e que saiba mesmo que as pessoas nem são assim, é impossível e ninguém rompe com a sociedade. Por isso, aprendi que não há excepções. Não há quem não acabe por se render aos padrões impostos. Não há coragem suficiente para ser diferente. Não há quem um dia não me venha a desiludir e a magoar. E é por saber disto que acaba por doer menos? Não. Porque não é por saber disto que a expectativa desaparece. O que me irrita, porque devia e acontece sempre o oposto: ela cresce. Cresce e eu magoo-me. E uma coisa que admiro em mim é a capacidade de seguir em frente e ultrapassar. Admiro, mas isso irrita-me. Pode ser que um dia tudo mude. E nesse ‘pode ser’, lá continua ela: a estupidez da expectativa irritante.