M. - ‘Se desistes eu juro que pego em ti e levo-te ao programa da Fátima!’
Eu riu-me.
R. – ‘Hey, esse não! Há outros… porque nós estamos cá, contigo, há três anos. E vamos continuar’
Ouvir isto, agora, é qualquer coisa que não sei explicar. Dá-me um alento. Arrepia-me. Até me envergonha. Envergonha-me porque estou mesmo cansada. E são mais as vezes que me apetece esquecer tudo, do que aquelas em que penso em arregaçar mangas. Estou cansada. Às vezes sinto-me oca por dentro. Estou farta de estar triste. Estou farta de me sentir uma bomba relógio, pronta a explodir aí, em qualquer canto, e a ter um ataque de choro, de raiva… incontrolável. Estou cansada de ouvir que sou ‘uma mulherzona’ e que tenho uma ‘força que ninguém percebe’ quando isso não me serve de nada. Quando todo o meu esforço não me leva a lado nenhum. Quando dou tudo o que sou, aos outros, e ninguém valoriza porque a seguir só me magoam forte e feio. E eu não acho justo. Não acho que mereça. Não sou nenhuma personagem de banda-desenhada. Eu sinto as coisas. E há coisas que não entendo e que não deixam de me magoar, por mais racional que tente ser.
Quanto à luta, ufff, estamos cá para ela não é? Quanto mais não seja por quem me tem dito que acredita em mim (o que, sinceramente, me assusta. Mas que me enche cá dentro.), juro que vou até ao fim.
Estou farta que seja tudo tão mau.
Era alguém que arranjasse uma borracha que me apagasse por dentro.