sexta-feira, 27 de agosto de 2010

‘se pudesses apanhavas outro avião e ias-te já embora, não era? Tu não estás bem aqui!’

Às vezes acho que me enganei e que estou no psiquiatra em vez da fisioterapia.
Ainda à uns tempos disse que a única coisa que me prende cá, são os concertos da minha Mafalda e do meu João. Tudo se riu, e eu estava a brincar… mas cada vez isto se aproxima mais da verdade. Estar aqui sufoca-me! E eu estou farta de tanta coisa… demasiadas coisas! Estou farta das pessoas, que não percebem e caiem sempre nos mesmos erros por mais frontal e dura que tente ser! Cresçam! Inventem novos erros se fazem assim tanta questão de me continuar a desiludir, a serio!

Israel foi muito! Foi muito mais do que poderia imaginar. É lindíssimo. E para quem acredita e sente, é indescritível! Eu descobri-me lá. Aprendi tanto sobre mim. Aprendi que sou bem mais do que seria talvez suposto. Bem mais do que qualquer pessoa possa acreditar que eu seja ou venha a ser. E tenho que dar valor a isso, porque isso tem valor. Tenho que me respeitar, mil vezes mais do que fiz até agora…
Estar longe, é estar bem! Sem pesos nem amarras. É ser outra pessoa, sem querer ser minimamente diferente. Enquanto que aqui, dava tudo para ser diferente. Para ter outra vida...

Ps- já voltei a adormecer a chorar. Sabia que era uma questão de tempo a partir do momento em que voltasse…

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Faço as malas. É dia de viagem. São quilómetros de estrada de alcatrão, sempre em frente, uma viagem longa que quase sempre parece interminável, e um caminho por dentro que tem atalhos e labirintos meus onde preciso e quero perder-me até me saber desmontar em todas as peças que me fazem quem sou, que, juntas, inteiras, partidas, desfeitas (sei lá em que estado estão) me deixam construída no que sou eu. (…) Já fui muito feliz e muito infeliz nesta viagem. Já fui mais e já fui menos, infinitamente. Mas é assim a vida, afinal, como esta viagem que se repete. O que se ganha e o que se perde pode ser tão sublime ou tão aterradoramente definitivo e, no entanto, tudo faz parte do caminho. A viagem é a mesma, sempre. (…) Não é fácil descontaminarmo-nos do ruído dos dias e das noites perdidas, atormentadoras e violentas, das palavras vãs, levianas e demasiado fáceis que nos são ditas como quem não soubesse que as palavras podem matar, dos gestos que fazem feridas onde não se vê, com as mesmas mãos que servem para as curar, e do cansaço infinito que a vida nos crava dentro e fundo depois de mais uma e outra e outra luta em que quase nunca há vencedores nem vencidos. (…) Não importa perdermo-nos, faz parte. Há-de acontecer tantas vezes mais quanto mais quisermos fazer o nosso caminho.

Mafalda. Só podia ser Mafalda. E sendo Mafalda, sou tão eu, também. Desde sempre que é assim, mas eu ainda fico estupefacta. As palavras dela têm a capacidade de entrar, cá mesmo dentro, e de me perceber de uma forma tão simples, que me fazem descobrir tanto, de mim. De recantos que trago cá dentro, só comigo. Porque ela fala do que é difícil falar, do que normalmente não se diz, do que se sente e se traz. E as coisas ditas tornam-se tão mais simples. Os labirintos tornam-se caminhos a desvendar e os medos companheiros de viagem com quem passamos a andar de mãos dadas, porque ela faz com que os medos deixem de ser só nossos. Com que sintamos que os partilhamos de alguma forma. E de repente, os caminhos ganham um sentido que desconhecíamos e nós uma força leve e apaziguadora, que parece fazer parte, desde sempre. E são as palavras que mudam tudo, porque palavras certas são mágicas. A Mafalda faz magia com palavras. Dá magia aos momentos e aos dias, que são muito de mim. Que me fazem. E é muito bom ter isto. Saber sentir e entender, cá muito dentro, é único.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ninguém nasce perfeito, é verdade. Boas pessoas, só, não existem. Toda a gente tem um lado menos bom, que não tem que fazer delas más pessoas (isto é, nem sempre. Porque às vezes faz mesmo). Acho que as pessoas pensam muito agora, em tudo. E não sei se isso é bom. Torna-as menos genuínas (às vezes soa mesmo a falso, a vazio. É feio.). E eu gosto mesmo de pessoas genuínas :) mas gostava de pensar mais. Devia pensar mil vezes mais! Na verdade, sou a pessoa mais trapalhona que conheço! Atrapalho-me sempre. Meto sempre os pés pelas mãos quando se sentam comigo para ter uma conversa. Porque vivo numa bolha invisível e imperceptível onde pouca gente entra (onde cada vez menos gente entra porque, não é fácil lidar com os estragos que vão deixando…) e para afastar as pessoas da ‘zona de perigo e alta fragilidade’ falo, falo, falo (podem perguntar que até me dão por uma pessoa muito aberta, tretas!) mas sobre coisas suficientemente distantes, o que chegue. E nisto, às vezes troco medidas, e sai-me o que não era suposto. Odeio isso. Porque depois massacro-me e não me consigo decidir entre o ‘não tem mal nenhum!’ e o ‘não devias ter dito, ponto final!’. É certo que a última resolveria todos os problemas, mas às vezes escorrego. Sou estúpida, pronto! E sou ainda mais estúpida por respeitar pessoas, valores… por respeitar o que sinto. Às vezes acho que devia ser uma verdadeira cabra em determinadas situações, porque assim teria mais respeito por mim e isso sim é (deveria ser…) o certo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ontem quase me desfiz, literalmente. mas mudei de assunto e respirei fundo. muito fundo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Podia escrever, muito, sobre mil coisas que me atormentam os dias e a cabeça. Sobre como a vida é uma merda e sobre como estou farta da minha. Sobre como estou farta de todas as pessoas que me rodeiam. Todas. Porque não me respeitam. Julgam que sim. Fazem que sim. Mas não. Porque me julgam mecanizada. Capaz de ser e passar por cima de tudo, quando a mim me parece obviamente impossível. Porque por me verem bem, não medem o que dizem e não me respeitam! Porque estão à espera que eu vista o papel de coitadinha para aí se preocuparem e só mostram que não me conhecem minimamente, porque isso não vai acontecer. Porque esse papel não está, nem nunca vai estar à minha medida (porque eu sou bem melhor que isso!). Porque me fazem perguntas e exigem respostas que eu não tenho. Nem vou ter tão cedo! Porque não penso. Não quero. Não estou para isso. Nem tenho paciência alguma para pensar. Dêem-me espaço. Dêem-me espaço para não querer saber do que quer que seja. Mas dar-me espaço não significa não querer saber e virar costas! E não me venham dizer que se não estão é porque eu não deixo e que mesmo longe estão comigo porque isso são tretas! Ou se importam, ou não se importam. Ou estão, ou não estão. A altura não me deixa espaço para meias medidas. Não preciso de palavras bonitas e gastas. Preciso de abraços. Gestos e atitudes. E onde é que eles estão? Pois!! E o pior, é que essa é das tais coisas sob a qual eu não sei se sou capaz de passar agora!

O António.


Era o fim óbvio, era, mas era o fim pelo qual ninguém esperava e acreditava. Comigo vão ficar algumas frases que ele foi deixando aqui e ali, principalmente nestes últimos tempos, que tanto me marcaram. Fica a lembrança de ele me fazer rir desde sempre e a certeza de que me vai sempre fazer sorrir.
O ‘bicho’ ganhou a batalha mais importante, mas o António esteve sempre à frente na guerra, pela coragem enorme e pelo ser humano extraordinário que demonstrou sempre ser.
Até sempre, António Feio.