‘estiveste a chorar?’
Não. Eu não faço disso. Só ando com um aperto enorme. Um no peito. Um na barriga. Um (um não. Muitos. Muitos!) na cabeça. Nos pulmões também que às vezes sufoca tentar respirar. Eu só morro de medo do que vem a seguir. Não tenho a mínima noção do que vem a seguir. E na verdade também não tenho minimamente vontade de ter, a mínima noção. Eu não entendo o direito que eles julgam ter quando me lançam ofensivos ‘desististe!!!’ ou ‘onde está a Ana que conheci? (sabem que mais? Também tenho saudades, mas também não sei dela.)’ ou pior, quando me fazem falar, ouvem, julgam e depois não querem saber (nem as coisas passam assim, nem vocês são assim tão bons para que tal aconteça, lamento.). descobri que pior que ser desiludida, é desiludir-me a mim própria (e que consigo ser muito boa e completamente eficaz a fazê-lo.) olho em volta e vejo tanta gente, ninguém a meu lado. Descobri que, se calhar, acho que as pessoas não valem nada (sendo eu uma pessoa, se calhar também acho que não valho nada. é por aí.)
se estive a chorar? Eu não faço disso, e se calhar é por isso que tenho tantos apertos. Mas chorar não resolve nada e com os apertos posso eu bem.
(gosto de pessoas que me fazem perguntas directas, a quem respondo com olhares directos e que a seguir me perguntam pelo tempo :) mostram que me conhecem melhor que a maioria.)