sábado, 3 de setembro de 2016

Do crescer.

É isto que é crescer? É assim? É o suposto? É tão estranho. Já lá vão os anos em que fazer anos era uma excitação. Há já um tempinho que não ligo grande coisa ao assunto. Há dias perguntaram-me se sentia a depressão da proximidade dos 30. Eu ri-me. Para isso era preciso sentir-me com 30. Continuo a achar que tenho uns 15 anos – fartei-me de comentar que não me importava de ter 17 e saber tudo o que sei aos 27 (e como as pessoas me continuam a dar 16, acho que estamos bem). Não que quisesse mudar decisões – mas adorava poder mudar as minhas reacções a uma série de situações que me foram aparecendo. Isto de a pessoa não nascer preparada, a saber e a acertar em tudo – é uma valente seca. Mas é assim, não é? A vida é uma valente caixinha de surpresas – deve ser para não cansar muito. Não sei se crescer também é isto – se faz parte – mas ando numa fase em que me aparece uma Ana nova de 6 em 6 meses. Sabem quando as nossas amigas (as miúdas adoram estas cenas) nos acusam – no auge da incredulidade e do sofrimento – de termos mudado e de já não sermos as mesmas? Pois, eu agora percebo isso tudo. É exactamente o que tenho feito – mas comigo mesma. De repente meteste em situações que seriam, em tempos, o cúmulo da felicidade e dás por ti no meio de todo um constrangimento, sem perceber nada. De repente aquela amizade incondicional já não tem nada a ver contigo, tem um carácter avesso do teu, e dás por ti a correr, que nem uma louca, há caça de qualquer coisa que vos ligue e que justifique tanto carinho ou amor. A pessoa nem mudou assim tanto – tu é que agora tens outras perspectivas e vês até onde não vias antes. Tu é que já não cabes ali. De repente as músicas ficaram mas as histórias atropelaram-se e tu já nem te lembras do que te levou àquela melodia – só te lembras do que ela é hoje em ti. De repente tu percebes que uma série de coisas eram necessárias para chegar até aqui. De repente percebes que a tua felicidade e o teu valor dependem apenas de ti. Um dia acordas e és obrigada a conviver com uma desconhecida, com uma cabeça meio tresloucada, mas interessante; e com um coração fofinho (cheio de retalhos) mas muito quentinho também – e descobres que até pode ser fixe. E hoje os teus sonhos são diferentes: porque o teu coração é diferente – e tu sabes que só tens a agradecer por isso. De repente dás conta que o único que continua ali, permanece, atura-te e não se assusta -com tanta loucura - é Deus. Obrigado, Paizinho. Desde que Tu me reconheças sempre, por mim, está tudo bem. Continua a cuidar de mim, sim? Esta cabecinha tem muitos sonhos e sem Ti eles de nada me valem. Com todo o amor, a Tua filha.