quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mafa no Coliseu :)

‘Goste-se ou não, está aqui um fenómeno que só por cegueira pode ser ignorado. Quantos artistas portugueses enchem dois coliseus (três se contarmos com o Porto)? E quantos têm um clube de fãs tão ruidoso e participante que quase serve de suporte vocal? Seguramente, nada disto acontece por acaso.’

E pronto. O post podia acabar por aqui que já estava tudo dito. Mas apetece-me escrever. Tanto. Por isso, cheira-me que vai sair daqui um post como já não faço à anos e que me davam tanto gozo fazer. Que saudades de outros tempos…

Mas voltando ao que importa. Consta que a Mafalda Veiga esteve por Lisboa estes dias. E pronto. Podia lá eu não estar presente!
Assim que soube que a Mafa ia ao Coliseu, estremeci por dentro. O Coliseu há-de ser sempre Aquela sala. Sempre que lá entro, lembro-me do ano de 2003. A primeira vez que lá entrei. O fervilhar e o forte que foi. Era uma miúda caraças! E marcou. Mesmo. Por isso, nem meti a hipótese de não estar presente em mais uma noite para comemorar, daquelas que só ela nos sabe dar. Foi a primeira vez que a vi ali. Sozinha.

Já fui a uns quantos concertos da Mafalda. Já sei bem o que esperar destas noites. Mas este mexeu tanto comigo. Estava mesmo ansiosa. Parecia que nunca quis tanto ir a um concerto. E digamos que, quando se quer muito uma coisa, qual é a piada se ela vier calmamente ter connosco? Na minha vida. Na nossa. Está mais que visto que não é nenhuma. Portanto, uma pessoa chega com vinte minutos de antecedência à avenida da liberdade e apanha uma fila infernal. Ninguém merece!

- Esta merda não anda!
- Tem calma que ainda faltam 20 minutos.
- 20? Onde? Faltam 10!
- AHHHHH! Nós não vamos chegar a tempo! Não nos vão deixar entrar!!
- Ana caraças! Não me stresses que eu vou a conduzir!

(calo-me e fervilho por dentro.)
- Oh Ana grita! Vais ver que faz bem!
- Sara! Cala-te pa! ‘Tás parva?!
- Ana… grita!
- Oh Sara… AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Passa alguém à nossa frente. Olhamos uma para a outra e rimo-nos. Somos Cúmplices. E, até nestas alturas, isso chega. :) (podia também falar da nossa espécie de dança, mas é melhor não ir por aí xD)

Passadas eternidades lá arrumamos o carro e corremos. O que vale é que estava uma noite limpinha, porque correr aquelas ruas a chover a potes, tinha sido mau… Pois! Mas lá chegámos! Ninguém nos barrou a entrada :P (uma luzinha qualquer fez o concerto atrasar 20 minutos :D!) entrámos e abraçaste-me. Soube bem sentir-te perto.

Depois já se sabe como estas noites são para ser vividas. Por inteiro e com o coração cheio. Com sorrisos e olhares cúmplices. Segredos recônditos que nos fazem ser. De verdade. Ali. Com as mãos dadas quando tem mesmo que ser. Para selarmos o facto de sermos uma.
A Mafalda tem uma qualquer magia fascinante. Tem o dom de, nestas noites, me destruir para voltar a construir numa exactidão perfeita. Apagando tropeços e sobressaltos. Envolvendo-me num regaço profundo e reconfortante.


E ali. Por entre achados e perdidos. Faz parte ir atrás dos sentidos e voar a sentir o mundo, na ponta dos pés. Se nos sentirmos perdidos numa noite assim, quando os sonhos contaminam o medo e o cansaço. Enquanto nos abraçamos ao nosso mundo com o coração quente e vagabundo, a forma da tua mão em mim faz com que eu saiba que ainda somos imortais, se nos olhamos tão fundo de frente, com uma vaga de espuma e sentidos guardados, no fundo do olhar. Olhamo-nos fundo. Deixamos voar os sonhos e acalmar a tormenta. Numa noite para comemorar, celebramos o facto de sermos cúmplices o resto da vida, mesmo que te espere a céu aberto onde se esconde, o que tu és que eu também sou, porque em cada grito da alma eu sou igual a ti e de cada vez que um olhar te alucina e te prende tu és igual a mim. Ali, os dias que vão levantam asas ou ficam em pedaços pelo chão porque, só nós sabemos o que poderá ser. Um pensamento meu, quase podia ser segredo meu e teu. Balançamos por entre sonhos de voar. Rasgamos o escuro desta chuva que sujou e colada ao tecto está a imensidão do céu. Porque não é urgente chegar, o que é preciso é viver, sabe bem quando estás ao meu lado e porque a estrada é feita para seguir, não sabemos nada do que somos nós, mas sabemos tanto do que muda por não estarmos sós. Abraças-me bem. Mesmo num relógio partido e gasto pelo tempo, a nossa cumplicidade poderemos sempre vê-la se soubermos soprá-la no nosso coração. Porque enquanto houver estrada pra andar, a gente vai continuar e mesmo que pareça bastar um pouco de céu, esse lume já ninguém pode, nunca apagar dentro de mim. Porque a vida é feita a cada entrega alucinada, para receber daquilo que aumenta o coração, eu vou guardar cada lugar teu, atado em mim, a cada lugar meu e hoje apenas isso me faz acreditar, que eu vou chegar contigo, onde só chega quem não tem medo de naufragar! (Uff! :D)

Estas noites são mesmo fortes e só quem lá está é que sabe. É que sente a ânsia do próximo acorde. Dá vontade de nos agarrarmos a cada segundo para não deixar fugir nenhum. Para que estas noites durem eternidades. E só quem entende o que é sermos cúmplices é que pode sentir a força de um coliseu a cantar que seremos cúmplices o resto da vida (com os fzz fzz sempre presentes). Sentir o estremecer de um Coliseu inteiro de pé, a bater os pés a pedir bis. A pedir o restolho… sentir a imensidão do lume que ali acende a força de cada lugar nosso.
E quando acaba, parece mentira. Quando acaba, é quando eu já embalada por tamanha magia, tenho mais vontade de ali ficar. Estou mais pronta para que tudo comece. Outra vez. Ainda com mais força.
Mas já sabemos que estas noites são feitas de pura aventura. Então lá vamos nós para aquele cantinho que já sabemos ser o certo.

- Epa, isto parece-me ser só convidados…
- Sim, também me estou a sentir a mais.

- A Mafalda vai receber as pessoas no bar…
-Bora?
- Sim! (…) Mas olha o pessoal do clube. Ficamos é aqui com eles e já se vê.

(…)

- Olha a Ana!
- Olha ‘tá-te a chamar!
- ‘Tá lá agora a chamar-me…! Hum, ok! Se calhar está! :D
- Oh, sua sacana!!! (ahahah! Que bom =) )
- Vai mas é lá para dentro e senta-te!

Sabe mesmo bem! Andar pelos corredores do Coliseu e já conhecer os cantos à casa. A sensação de entrar naquele bar será sempre indescritível! Tenho a sensação que já se devem ter passado coisas tão únicas que acho sempre um privilégio tão grande estar ali. Para passar o tempo andámos a explorar aquelas ‘paredes magicas’ e ainda descobri as marcas daquela noite de à tanto tempo, que ficará marcada para sempre em tudo o que sou. Admirei-as. Marquei-as. E guardei-as em mim. Em silencio.
Até que chegou a Mafa e trouxe com ela luzes, luzes e mais luzes. E nós não gostamos disso, por isso tentámos passar despercebidas até que tudo acalmasse.
- AHHHHHHH! BATATINHA! ‘TÁS ALI!! (LOOOOOL)

É sempre bom ter a Mafalda perto. Dizer-lhe como foi tudo tão forte. Grande e perfeito. Tive que lhe agradecer pelo ‘Meu Abrigo’ que me rebentou o coração.
- Gostas-te dos arranjos?
Se gostei! Estava tão perfeito! Foi das primeiras músicas da Mafalda que se entranhou em mim e me prendeu. Nunca a tinha ouvido ao vivo, por isso quando nos pediu ajuda para escolher o alinhamento, não hesitei na escolha. A forma como a preencheu e reinventou foi perfeita. Ficou mesmo marcado na alma e na pele. Mil obrigados!

Despedimo-nos da Mafalda e depois da Ana com um abraço forte e apertado, que soube mesmo bem!, na tentativa de lhe agradecer por tanto. Pela simpatia, generosidade e paciência que tem sempre connosco. Pessoas que sabem ser mesmo grandes por dentro e que não se esquecem. :)

Destas noites fica sempre tanto. Um mundo. Fica a força que é sentir o Coliseu junto, como um só, a uma só voz. Fica o sorriso persistente da Mafalda por entre cada música. Aquele aceno de missão cumprida, que é só e apenas dela. Fica um lume. A forma como ela nos abraça tão bem. A certeza que já não saberíamos não a ter.
Esqueci-me de lhe agradecer por ‘A gente vai continuar’. A grande musica do Jorge, que à muito me deixava vontade de a ouvir ao vivo, na voz dela. E não me passa pela cabeça melhor momento para o fazer do que estas noites no Coliseu onde comemoramos o facto de que ‘Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar’ e a certeza de que ‘Seremos cúmplices o resto da vida’.

A Mafalda é grande. Fantástica. Merece tudo. Um Mundo! E é um enorme orgulho acompanhá-la sempre que posso. Ela sabe q sim! =)

Destas noites ficas sempre tu. E uma marca enorme e bonita na historia de tudo o que somos. Obrigado por as viveres sempre comigo. De coração junto e dedos entrelaçados. Obrigado por sentires a mesma cumplicidade que eu. Esta que mais ninguém sente. Porque esta é nossa. Fomos nós que a construímos. Somos nós que a fazemos crescer. Juntas. E é bom ter isto com alguém. Ainda melhor é tê-lo contigo. Melhor é ter vontade que isto dure. Para o resto da vida!! É sempre mais do que eu te sei dizer :)
Amo-te Cúmplice (L)














Podia explicar a foto (roubada do fórum do CFMV :P) mas, não me parece que interesse muito :)

Por fim, despedi-me do Coliseu com ‘um volto já’ porque já me constou que ainda lá devo voltar este ano :’D *

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Vai melhorar.

Começo o ano assim. Com a sensação que me deram um grande enxerto de pancada e me deixaram estendida no chão. Onde estou agora. A tentar ganhar forças e fôlego para me levantar.
O dia de ontem. Só por si já iria ser doloroso. Difícil. Vazio para todos. Isso já se sabia. Mas até este ponto? Ainda não acredito no que vi. Quando uma pessoa magoa outra. Ali. Mesmo à tua frente. Da forma mais atroz e cruel que pode existir. Quando essas pessoas fazem, de certo modo, parte de ti. Daquilo que és. Foi mesmo violento ver-me tremer. Sentir como o meu coração ficou pequenino e desfeito. Apeteceu-me levantar e encher-lhe a cara de bofetadas, para ver se sai desse monte de egoísmo e maldade onde mergulhou. Uma coisa é contarem-me situações e eu imagina-las. Outra bem diferente foi ve-las. Acontecer. Mesmo diante dos meus olhos. Foi avassalador. A situação. O local onde estava. Impediram-me de reagir. E a única coisa que consegui fazer, depois, foi dar-lhe um abraço. Forte e apertado. E esperar, de olhos fechados e com o coração todo, que ela percebesse e sentisse. A mim. Sentisse o abraço. E todo o seu significado.

No meio de tanta confusão, ainda tive ‘coragem’ de me desafiar. E fui lá. Depois de mais de cinco anos. Mas para mim, tirando as palavras, que só uma menina (como eu era) podia escrever, nada mais me tocou ali. A minha mãe disse-me que eu sou estranha. Também acho que o sou. E às vezes tenho medo que essa estranheza e frieza (para determinadas situações) me tornem numa má pessoa. Mas a verdade é que a vida, desde cedo, deixou de ser meiga para mim. E a menina piegas teve de aprender a deixar de o ser. E essa frieza acaba por ser apenas uma protecção. Para os outros. Para que não sofram nem se preocupem com as lutas tão grandes que se passam tantas vezes. Cá dentro. E a verdade é que o senti. Tanto. Mais do que nunca. Ontem. Senti o que ele sentiria. A única vez que o vi chorar. A falta que me faz. Todos os dias.

E como se já não bastasse tudo, depois chegou a altura de ser eu magoada. Já o esperava. Mas no fundo, tem-se sempre esperança que estejamos enganados e que as pessoas nos surpreendam. Mesmo que essa esperança seja ridícula e que no fundo saibamos que as pessoas acabam por nos surpreender sempre… nem que seja pela negativa :) e a verdade é que quando já estamos à espera, a marca que fica é sempre maior.

Passei a meia-noite e fiz um ponto final – paragrafo! Mas com a sensação que o que eu precisava mesmo nesta história, era uma mudança de capítulo, apesar de isso exigir demasiada força que eu não sei se serei capaz de encontrar..!


Mafalda Veiga – Restolho (não consigo meter o video)

Durante anos a gostar da Mafa, nunca percebi porque raio ela cantava esta música, que nada me dizia, em todos os concertos. Até esta noite (noite do vídeo) em que de repente ela fez todo o sentido. E aí percebi que das músicas da Mafalda não se gosta ou não gosta. Há que percebe-las. A elas e às entrelinhas. E tentar encaixá-las em nós e em partes da nossa vida. E quando sentimos que elas aconchegam pedaços nossos, do que somos. As músicas ficam. Ficam mesmo. Para sempre. :)

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração


Diz tanto. (L)

Bom ano. Sejam felizes. :)