quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Vai melhorar.

Começo o ano assim. Com a sensação que me deram um grande enxerto de pancada e me deixaram estendida no chão. Onde estou agora. A tentar ganhar forças e fôlego para me levantar.
O dia de ontem. Só por si já iria ser doloroso. Difícil. Vazio para todos. Isso já se sabia. Mas até este ponto? Ainda não acredito no que vi. Quando uma pessoa magoa outra. Ali. Mesmo à tua frente. Da forma mais atroz e cruel que pode existir. Quando essas pessoas fazem, de certo modo, parte de ti. Daquilo que és. Foi mesmo violento ver-me tremer. Sentir como o meu coração ficou pequenino e desfeito. Apeteceu-me levantar e encher-lhe a cara de bofetadas, para ver se sai desse monte de egoísmo e maldade onde mergulhou. Uma coisa é contarem-me situações e eu imagina-las. Outra bem diferente foi ve-las. Acontecer. Mesmo diante dos meus olhos. Foi avassalador. A situação. O local onde estava. Impediram-me de reagir. E a única coisa que consegui fazer, depois, foi dar-lhe um abraço. Forte e apertado. E esperar, de olhos fechados e com o coração todo, que ela percebesse e sentisse. A mim. Sentisse o abraço. E todo o seu significado.

No meio de tanta confusão, ainda tive ‘coragem’ de me desafiar. E fui lá. Depois de mais de cinco anos. Mas para mim, tirando as palavras, que só uma menina (como eu era) podia escrever, nada mais me tocou ali. A minha mãe disse-me que eu sou estranha. Também acho que o sou. E às vezes tenho medo que essa estranheza e frieza (para determinadas situações) me tornem numa má pessoa. Mas a verdade é que a vida, desde cedo, deixou de ser meiga para mim. E a menina piegas teve de aprender a deixar de o ser. E essa frieza acaba por ser apenas uma protecção. Para os outros. Para que não sofram nem se preocupem com as lutas tão grandes que se passam tantas vezes. Cá dentro. E a verdade é que o senti. Tanto. Mais do que nunca. Ontem. Senti o que ele sentiria. A única vez que o vi chorar. A falta que me faz. Todos os dias.

E como se já não bastasse tudo, depois chegou a altura de ser eu magoada. Já o esperava. Mas no fundo, tem-se sempre esperança que estejamos enganados e que as pessoas nos surpreendam. Mesmo que essa esperança seja ridícula e que no fundo saibamos que as pessoas acabam por nos surpreender sempre… nem que seja pela negativa :) e a verdade é que quando já estamos à espera, a marca que fica é sempre maior.

Passei a meia-noite e fiz um ponto final – paragrafo! Mas com a sensação que o que eu precisava mesmo nesta história, era uma mudança de capítulo, apesar de isso exigir demasiada força que eu não sei se serei capaz de encontrar..!


Mafalda Veiga – Restolho (não consigo meter o video)

Durante anos a gostar da Mafa, nunca percebi porque raio ela cantava esta música, que nada me dizia, em todos os concertos. Até esta noite (noite do vídeo) em que de repente ela fez todo o sentido. E aí percebi que das músicas da Mafalda não se gosta ou não gosta. Há que percebe-las. A elas e às entrelinhas. E tentar encaixá-las em nós e em partes da nossa vida. E quando sentimos que elas aconchegam pedaços nossos, do que somos. As músicas ficam. Ficam mesmo. Para sempre. :)

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração


Diz tanto. (L)

Bom ano. Sejam felizes. :)

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