quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Medo.

Saía. Fechava a porta e ia. Para longe de tudo. Principalmente de todos. Estou cansada. Magoada. Saturada. Ferida. E é tal a confusão que muitas vezes, quando dói, já não consigo distinguir bem o que faz doer, nem o porquê. Vejo-me forte, já imune a determinadas coisas. E de um momento para o outro, quando não quero pensar, elas voltam. Volto a senti-las. Arranharem-me o peito com uma força feroz.
Ando farta e irritadiça. E há dias, em que não sinto o que queria sentir. Momentos em que não sei o que é suposto sentir.
Tenho medo. Muito. Tanto. E esse medo é um mar em mim, completamente avassalador. Consigo mesmo sentir cada onda rebentar, em mim. Uma após outra. Num compasso incessante e sobressaltante. Que me vira do avesso e me deixa sem rumo. E o que mais me desorienta é que eu sei que este medo, não terá propriamente um tempo, nem um espaço para existir, será constante.
Sei perfeitamente que este medo não é única exclusivamente meu. Tem que se sentir. Faz parte. Mas a vida que escolheram para mim tem essa particularidade: de fazer ser tudo um pouco mais tenebroso para mim. E não estou a exagerar. A fazer fita. É assim, e eu aceito. Só que nem sempre sei lidar com tudo o que vai cá dentro. Nem sempre é fácil conjugar o que se passa cá dentro, com o mundo de fora.
E são nestes momentos que eu me apercebo como a vida é irónica. Julgamos sempre que nestes momentos, em que nada bate certo, as pessoas que consideramos importantes, ‘nossas’, vão estar connosco e a verdade é que nunca estão. Porque não sabem, não vêm. Ou porque simplesmente, é mais fácil e cómodo não saber. Não ver.
E o giro nisto é que depois aparecem outras pessoas. As que se cruzam contigo por mero acaso. As casuais, que sem te aperceberes acabam por estar sempre por ali. E essas, sem saberem (porque é impossível saberem. Porque tu disfarças. Bem. Julgas que sim. Ou será que não? Sim.) acabam por te tocar por dentro. Na lacuna. Que faz tremer. Fazem-te sorrir. Nem que seja por um segundo, fazem-te viver mais. Com mais sentido.
Num jantar, falava-se de medos. Dos meus. Dos mais banais. E uma pessoa, dessas meramente casuais, disse-me inesperadamente algo como: ‘deixa-te de merdas! O mundo está à tua espera e é só nisso que tens que te concentrar.’. Penso nisso frequentemente. Porque preciso. A pessoa marcou-me com isto e o engraçado, é que tenho a certeza que nem se apercebeu.
Aprendi que se tem que beber ao máximo de quem nos faz sentir bem. Independentemente do valor que tenha, que venha a ter, ou que nunca alcance na nossa vida. Aprendi que o importante não é a história em si, mas sim os momentos que dela fazem parte. Ninguém nos pode prometer que uma história bonita, não possa ter um final mau. Mas um momento perfeito que guardamos, poderemos guardá-lo assim. Perfeito. Para sempre. Aprendi que esses momentos não fazem o medo desaparecer. Mas fazem-nos a nós maiores. Mais fortes. (eu continuo a ter medo. Muito.)

[Gosto de pessoas que sabem viver com o coração. Falam com o coração. Sem pensar. Por impulso. Têm o coração no olhar. O que se sente na ternura. Abraçam com o coração. Sabem abraçar. Porque chegam longe, onde não se chega.
Gosto do arrepio da verdade. Nos gestos. No olhar. Nas acções sem obrigação. Gosto da sinceridade de palavras sem razão. Gosto de pessoas diferentes. Que o sabem ser. Só porque são. Gosto de momentos que me rasgam um sorriso persistente. Que me fazem viver. Sentir. Gosto muito. Deste privilégio. Cumplicidade.]

2 comentários:

  1. Força Nokas, acredito que irás superar esses teus medos.

    Beijinho :D

    ResponderEliminar
  2. Espero fazer parte dessas pessoas que te fazem sorrir, nem que seja apenas porque sim =)

    Adoro-te <3

    ResponderEliminar

sussurros