terça-feira, 20 de abril de 2010

‘ou se sabe cuidar ou não se sabe. E tu sabes!’

Disseram-me isto à uns dias e hoje dei por mim a pensar. Até que ponto será isto, ainda, uma qualidade? Preocupo-me muito, é verdade. Mas são tantas as vezes em que dou por mim a perguntar se vale a pena. As pessoas nem se apercebem. Ou pior: se percebem, não dão o mínimo valor. Acho que chegam achar as atitudes meras obrigações. Temos obrigação de nos preocupar e entender problemas que nem nossos são. De arranjar soluções para problemas comuns, mas que nos cabe a nós resolver, nunca chego a perceber bem porquê. Temos obrigação de manter sentimentos ou ligações dos quais nem se lembram de cuidar. E muitas vezes nós fazemos e até sentimos tudo isto como obrigação. Mas uma coisa é ser sentido, outra é ser-nos imposto, porque sim. Acho que às vezes até a nós nos dão como certos, sem a mínima preocupação ou cuidado. E irrita-me quando, no que me diz respeito, chego à conclusão que me rendo a isto tudo. E apetece-me passar a viver só para mim e para o meu umbigo!

Mas depois tenho medo que apareça alguém que precise mesmo e que eu não saiba reparar…

prontoésvicidaempessoasentãoaguenta-te.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cumplicidade, acho

adorei esta surpresa :) adorei este dia. adorei não saber mesmo onde estava a ir nem para quê, chegar e ver da rua os famosos fzz fzz acesos lá dentro, em tantas mãos de amigos que se juntaram para me oferecer o disco que mais prazer me deu receber até hoje. - Mafalda

Perguntam-me como foi e eu fico estagnada, com a cabeça a mil, conseguindo articular apenas um mísero ‘foi muito bom!’. Perguntam-me como foi e eu lembro-me da ansiedade que faz borboletas. Costumam dizer que as borboletas da ansiedade nascem na barriga, mas naquela noite sentiam-se a saltitar de um em um, como se ninguém as quisesse agarrar. Como se uma ansiedade só, quisesse chegar a todos. Lembro-me do stress dos fzz fzz, e assim de repente, acho que nem éramos nós se esse stress não fizesse parte :). Lembro-me ‘da’ entrada. Da emoção a transbordar no olhar e a estender-se depois para um sorriso, cheio de tudo. Eu fiquei cheia de tudo. Lembro-me da genuinidade das palavras incrédulas. Lembro-me das conversas, muitas!, das quais ficaram sobretudo risos e sorrisos. Lembro-me de olhares incrédulos e comprometedores, que só faziam rir. Lembro-me dos discursos. De cada palavra que ali foi dita. Todas com tanto sentido. Um sentido avassalador para quem o sabe sentir. E fizeram-se nossas, as palavras. Eu pelo menos fi-las minhas. Todas, uma a uma, cá dentro. Lembro-me de olhares, gestos e sorrisos, de uma cumplicidade que não cabe, mas que me faz, ao fazer tão parte. Lembro-me de conversas e abraços. De sussurros. Lembro-me de sermos tantos e tão diferentes, mas ali, sermos tão iguais. Lembro-me de sentir uma sorte enorme por, apesar das diferenças, ter ali pessoas tão minhas, de quem gosto tanto. E sei que sou uma privilegiada: por saber o que isto é. Por poder fazer parte. Por ter alguém tão enorme a fazer parte, de mim e do que sou. Lembro-me disto tudo e adorava arranjar uma frase que o descrevesse. Adorava arranjar palavras à altura, mas não consigo. Nem estas são. Só vivendo. Só sentindo. Acho que isto é cumplicidade, e é único :)

sábado, 3 de abril de 2010

Um dia.

Um dia volto-te a ver. É que eu tenho a certeza que sim. Não tenho dúvidas. Um dia, voltamo-nos a ver!
A
gora não sei. Não sei se petrifico, e tu nem reparas. Não sei se me atrapalho e ignoro. Se te atrapalhas e ignoras. Se nos atrapalhamos e ignoramos. Se sorrimos e deixamos passar. Se… se… se… se eu olho para ti. Ou tu para mim. Ou se olhamos os dois e os nossos olhares se cruzam. Se nos cumprimentamos, como crescidos que somos (se bem que, tu sempre foste crescido…!) ou se o meu coração pára (porque é que eu tenho a sensação que ele vai parar, em qualquer uma das hipóteses?), e eu perco a noção que já sou crescida (bem, idade eu tenho… agora, serei mesmo crescida? Algum bocadinho?) e corro para ti. E abraço-te. Abraçamo-nos. Como na penúltima vez. Lembras-te? Fazemos um mundo louco parar à nossa volta. Com um abraço nosso. Com os olhos cheios de lágrimas. Com a alma a transbordar de tudo o que há de bom. Tão cheia que não cabe em lado nenhum.
Sabes? Acho que foi nesse dia que me apaixonei por abraços. Porque me perdi, no teu. O culpado és tu! Se naquele dia me dissessem que ia ficar anos sem te ver, ia-me perder a rir! Eras tanto para mim! Mas acho que só agora, depois de tanto tempo. Só agora é que tenho noção do tanto que tu és, em mim. Irrita-me. Quer dizer, irrita-me às vezes. Outras vezes, acho que é do mais bonito que há. Mas a verdade é que, quando sei de ti (o que não é nada comum) estremeço, tal e qual aquela criança que ambos conhecemos. A verdade, é que posso quase jurar que o brilho no olhar permanece o mesmo. Permanece igual. Quando me lembro de qualquer coisa que se ligue a ti.
Um dia volto-te a ver, e vou ter mil coisas para te contar e outras mil para perguntar. Um dia voltamo-nos a ver, e nesse dia juro que me chega um abraço. Um que seja mesmo nosso. Juro que sim.