‘Eu percebo…’
Oh por amor de deus, não me venham com balelas que vocês não percebem é nada. Nada. Nada. Nada. Vocês não sabem, nem fazem ideia do que é ter um corpo que não acompanha a vossa cabeça, que vos prende. Não sabem o que é estar preso numa teia vossa, só vossa e forte, à qual não podem fugir. Não sabem o que é erguer sonhos, com todo o cuidado, com todo o perfeccionismo, não porque se quer, nem porque se escolhe, mas porque a vida os trás e os impõe. Porque sim. Como se fossem uma peça que sempre cá esteve, que sempre fez parte e que nos faz. E por isso, lutar por eles torna-se tão instintivo como respirar. Não sabem o que é ve-los a cair, um após o outro, e a transformarem se em grandes pedaços de nada. e se, no fundo, eles te fazem, tu acabas por ser feita de grandes pedaços de nada. e vais perdendo, todos os dias pedaços do que te faz, do que és tu. Vocês não sabem. A maior parte das vezes, pergunto-me se saberão vocês o que é a vida. O que são vocês. Se não passam de criaturas robotizadas que mal sabem sentir. Que em vez de um coração a transbordar de emoções, que faz o que são as pessoas, carregam aí, do lado esquerdo do peito, uma bomba meramente mecanizada. Daí eu não vos perceber. Das bocas frias e surreais, divido-me entre burrice e maldade, quando não é nada disto. Não sabem é sentir. Seguem uma rota padronizada, traçada algures e não a vivem. Não respiram, nem vivem. Não sabem. Tristes. E eu não quero isto. Arrepia-me a frieza e impunidade do não saber ser. Eu sofro, e luto todos os dias pelo discernimento e pelo sorriso, que não são fáceis manter. E se calhar, é o que incomoda. Eu riu. Eu sinto. Respiro. Vivo. Sou. E só ser, já faz de mim melhor. Ser.
Oh Ninhas, como adorei este teu texto, como me identifico com ele. Tanto. Nunca desistas dos teus sonhos, dos teus objectivos, de seres quem és. Uma pessoa fantástica. Beijinho
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