Sonho sobre ti vezes sem conta. Mesmo
quando estou acordada. Às vezes dou comigo na rua e de repente, do nada, vejo a
tua silhueta a mover-se por entre as gentes. Ou então é o teu perfume de
lavanda que me apanha desprevenida obrigando-me a fixar-me em alguém que acabou
de passar rente a mim. A tua falta é tão permanente que os anos não lhe retiram
nem força, nem dor.
É uma dor que vive comigo, encaixada
dentro de mim e escondida. Mas sabes pai, tenho contigo longas conversas.
Maiores do que as que tive enquanto vivias. Pergunto-te muitas vezes o que
pensas de mim, daquilo em que me tornei, sei lá, coisas sem importância talvez.
E o facto de já teres partido há tantos anos não me fez esquecer os teus
traços, o teu sorriso pequeno, as tuas mãos perfeitas.
Perfeitas. Onde eu hoje queria estar,
sabes pai, abraçada por ti e ouvir-te dizer, tudo vai correr bem. Quando
sonhamos podemos imaginar tudo o que queremos. E eu imagino-me novamente ao teu
lado a dizer-te tudo aquilo que não tive tempo.
A vida é tão estranha, como estranha é
esta saudade permanente de ti, esta imensa solidão que nunca vai desaparecer.
Mas todos os dias as gaivotas rondam a minha janela e como sempre, é contigo
que falo quando lhes digo adeus.
Luísa Castel-Branco
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