sexta-feira, 28 de março de 2014

das más conquistas.


Nem todas as conquistas são boas. Há conquistas que, além de não completarem, como era suposto, desfalcam. Deixam espaços vazios, que esperavam ser inundados de um cheio sem fim. Mas não são. Há conquistas nas quais quase púnhamos a vida. Não pomos. Porque ninguém é assim tao louco. Não pomos a vida mas, a alma e o coração sim, estão lá. Sempre e por inteiro. Porque, se é para ir, é inteiro que se vai. E depois. Depois nada é o que era suposto. O que devia ser. E depois, o nada é pouco. Ou quase nada. E deixa-nos ali à procura de nos lembrarmos do que era tão grande. Deveria ser. E não é. A única realidade real, é a nossa. Qualquer outra que nos seja apresentada pode ser duvidosa, e deve ser questionada. Nunca nos conformamos com o fato de que todo o quadro pode ser incrivelmente perfeito e maravilhoso. Por inteiro. Mas todo o quadro tem pormenores. Nem todos perfeitos. Muitos imperfeitos. E pode chegar o dia em que essas imperfeições façam o valor do quadro. E se, conseguimos amar para sempre o quadro inteiro. Tudo com que nos ilude. Tudo o que nos mostra e representa. Há situações em que cada imperfeição mede mais que o mundo. E descobrimos que não conseguimos viver com elas. Por mais que o quadro seja amor. Não estamos prontos. Não vamos ficar. Nem queremos vir a estar. Há conquistas para as quais partimos inteiros, mas das quais é importante sairmos também inteiros. Nem todas as conquistas são boas. E vai ser sempre duro chegar a essa conclusão. (mesmo sabendo que nunca nenhuma luta será em vão. Será sempre o processo de luta que nos revela. E constrói.)

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