Nem todas as conquistas são boas.
Há conquistas que, além de não completarem, como era suposto, desfalcam. Deixam
espaços vazios, que esperavam ser inundados de um cheio sem fim. Mas não são. Há
conquistas nas quais quase púnhamos a vida. Não pomos. Porque ninguém é assim
tao louco. Não pomos a vida mas, a alma e o coração sim, estão lá. Sempre e por
inteiro. Porque, se é para ir, é inteiro que se vai. E depois. Depois nada é o
que era suposto. O que devia ser. E depois, o nada é pouco. Ou quase nada. E deixa-nos
ali à procura de nos lembrarmos do que era tão grande. Deveria ser. E não é. A única
realidade real, é a nossa. Qualquer outra que nos seja apresentada pode ser
duvidosa, e deve ser questionada. Nunca nos conformamos com o fato de que todo
o quadro pode ser incrivelmente perfeito e maravilhoso. Por inteiro. Mas todo o
quadro tem pormenores. Nem todos perfeitos. Muitos imperfeitos. E pode chegar o
dia em que essas imperfeições façam o valor do quadro. E se, conseguimos amar
para sempre o quadro inteiro. Tudo com que nos ilude. Tudo o que nos mostra e
representa. Há situações em que cada imperfeição mede mais que o mundo. E descobrimos
que não conseguimos viver com elas. Por mais que o quadro seja amor. Não estamos
prontos. Não vamos ficar. Nem queremos vir a estar. Há conquistas para as quais
partimos inteiros, mas das quais é importante sairmos também inteiros. Nem todas
as conquistas são boas. E vai ser sempre duro chegar a essa conclusão. (mesmo
sabendo que nunca nenhuma luta será em vão. Será sempre o processo de luta que
nos revela. E constrói.)
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