sexta-feira, 2 de maio de 2014

Do nada.


Às vezes comento que acho que as pessoas com deficiência não deviam ter direito à vida. Fica tudo revoltadíssimo e a dizer que eu sou injusta e que devia dar mais valor àquilo que tenho. Eu dou. E muito. E muito provavelmente, dou mil vezes mais valor à vida do que essas pessoas que adoram encher o peito feitas pombos. Mas isso não muda a realidade. Muito menos o mundo. E o mundo não muda porque as pessoas não mudam. E o mundo não passa de uma gaiola. O mundo foi feito para quem é normal. A sociedade só respeita quem é normal. Quem é normal. Nunca percebi muito bem se o significado deste ‘quem é normal’ tem o mínimo sentido, mas é isso. Nem o mundo nem a sociedade fazem o mínimo esforço ou cedência para se adaptar ao que é diferente. Quem é diferente é que tem que se integrar. Integrar, acho um piadão a esse termo. Se pensarmos, para alguém se integrar, tem que haver um outro que aceite e se adapte. Mas se o mundo e a sociedade não se adaptam… pois. E as pessoas não mudam. Até aquelas que te amam, gostam de ti, simpatizam contigo. E aquelas que te prometem, tipo papagaio, ‘vou estar sempre aqui’. (as minhas preferidas. Estão sempre. Mas sempre mesmo. Menos quando é preciso, ups. Mas vá, é isso, também precisam de férias. Nessas alturas, tiram férias. Lógico.). Quantas vezes não são estas pessoas as mais injustas. Não percebem, e por isso nem respeitam. Muitas vezes são cruéis. Muito. E eu juro que não quero criticar ninguém. É verdade. E faz sentido. Vivem neste mundo e foram criadas para estarem integradas nesta sociedade. Nada mais normal. Quem foge do padrão é que é nada. Pode ter infinitas qualidades e habilidades, mas aqui, não passa de nada. E este nada dói e pesa. Às vezes é insuportável. E eu às vezes pergunto-me: e quem não acredita em Deus? E quem não se sustenta em Deus? E quem não se alimenta em Deus?... aguenta como? É que há, muitos, dias em que eu só quero que Deus me salve. E só não sou menos que nada, literalmente, porque confio plenamente Nele.

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