sexta-feira, 24 de outubro de 2014

24 de Outubro de 2003. Pior dia. Parece que passou um século. Parece que foi ontem. Todos os dias. Fazes-me tanta falta. Pai.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Estou tão cansada. Estou tão farta. É horrível. É horrível quando sinto e sei que nunca posso ser eu mesma porque, o que eu sou, não se adequa à –minha- realidade. É horrível quando sei que não tenho valor nenhum, ou que, o pouco que tenho é anulado, ou, ceifado pela minha condição física –quando eu sei que tenho tanta coisa cá dentro que podia ser tão bom… Estou tão farta que só me apetece que o mundo exploda. E me vire do avesso. Oh Deus!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O que não te faz bem, não te faz falta. Não deve. Nem pode.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Das odisseias.

Ontem fui renovar o cartão de cidadão. É natural, ok. Mas para mim, muito do que é natural transforma-se facilmente numa odisseia. O meu corpo é muito mais teimoso que a dona, portanto, nunca sei se a parte de assinar vai estar despachada em meio minuto ou em três horas… já me aconteceu também não conseguir assinar de todo e, apesar de saber que foi numa situação muito complicada e de até estar lesionada e a morrer de dores, esta memória assombra-me sempre um, bom, bocadinho. Para ajudar decidi que era divertido ter uma insónia, o que para quem nunca tem insónias, é sempre bom. Mas lá fui, sem estar minimamente nervosa – a anestesia de uma noite não dormida afinal, deve ter ajudado nisto. Pelo caminho só me vinha à cabeça uma memória que não devia visitar há um século. O dia em que fui tirar o bilhete de identidade. Já não faço ideia como a coisa funcionava mas, lembro-me que de todos os meus colegas fui das últimas a tirar. Sabia que era importante e, segundo o que eles diziam, uma excitação. Ainda por cima, fui com os meus pais para Lisboa, num dia de escola, portanto, devia mesmo ser uma grande coisa. A minha mãe veio com três cartõezinhos para eu escrever o meu nome (todo. A burocracia deste país sempre a ajudar e a facilitar-me a vida...) nos três para depois escolherem o melhorzinho. A minha mãe foi preencher papeladas e o meu pai ficou a ajudar-me. Lembro-me dele tão feliz e tão nervoso para que tudo corresse bem e eu não ‘sofresse’ muito. Uma memória tão tão querida e amorosa. Na altura, obviamente, não pensei em nada disto mas, lembro-me bem de sentir um quentinho bom na barriga só de o ter ali. Não me lembrava disto há mais de uma eternidade. Ontem, no caminho, quando me lembrei, percebi. Nada se compara com o facto de já não o ter cá. Com a falta que me faz, todos os dias. Todos os problemas que me arranjam. Todas as calúnias. Todas as vezes que não me valorizam. Todas as vezes que me subestimam. Desrespeitam. Tudo passa. São meras ventanias. Podem até fazer estragos, mas passam. O que eu sou, não. O que os importantes fizeram de mim, o valor que um dia me deram, é o que deve ser inabalável. Ao que devo manter-me fiel. E a eles. Sempre.

Ah, e correu tudo bem. Não foi bem meio minuto… mas correu bem.