A vida devia trazer um livro de instruções
- ou vários - ou, sei lá, pelo menos uma lista de 10 - ou 100, vá - dicas de sobrevivência.
É impossível não se planear um amanhã, não se fazer um plano – por mínimo (ou a
curto prazo) que seja. Mas é em vão: ou só estupido. O futuro nunca é – raramente
se apresenta – como o imaginámos. O que não tem que ser mau – pode até ser das
melhores coisas da vida. Mas isto coloca de lado as certezas: aborta com tudo o
que hoje temos como certo. Isto faz-me tudo muita confusão, sobretudo, no que
diz respeito às pessoas. É absolutamente inexplicável como uma pessoa que um
dia já te foi tudo, hoje pode não te ser nada. Nada. Ok, acho que vou sempre
ter um respeito enorme, e sem medida, por toda e qualquer pessoa que tenha, um
dia, feito parte da minha vida. E um carinho, também, descomunal. Sou capaz de
jurar que isto não muda. Mas para além disto… nada. E arrepia. É certo, a
maioria dessas pessoas já me desiludiu, um dia, de alguma forma - umas mais,
outras menos, profundas – mas, juro que não é por aí. Em mim, as feridas e as mágoas,
não duram mais que dias: saram e passam-me muito depressa. Até me esqueço. Mas há
coisas que se quebram e que não há como reaver – ou colar. Eu “adorava” poder
acusar essas pessoas de se terem virado do avesso: de terem mudado a ponto de
se terem tornado noutra pessoa. Mas não posso porque, no fundo, eu sei que elas
sempre estiveram lá, assim: eu é que nunca as soube ver – ou nunca quis. Eu é
que mudei – é verdade (graças a Deus, que é verdade!) - e elas já não me cabem
mais. Há vidas que não são compatíveis. Há quem se sobreponha, a todos os
outros, e tenha uma tremenda dificuldade em respeitar quem quer que seja – e eu
não quero ter que saber lidar com isso com naturalidade (como já soube). Há quem
acredite no inacreditável (no que é mau) e baseie a vida nisso: e eu, por mais
que respeite, como diz a música, só quero paz! E há, simplesmente, vidas sem
pontos que se liguem – ainda que exista vontade. E é constrangedor estar diante
de alguém que já soubeste ler, de canto a canto - do avesso, se preciso – e não
o conheceres. É tão assustador (quanto necessário). Como é que te desfazes de
uma ilusão que tu própria criaste? E como distinguir se entretanto não criaste ilusões
novas e nem te deste conta? E se quem te faz – tantas vezes, tão feliz – por dentro,
estiver longe de te pertencer e te construir, de facto? Ah, é entregar a Deus e
confiar! Viver e sustentar, muito bem, tudo o que te faz vivo e feliz – para nunca
se perder! Além disso, nada é certo, tudo muda. As linhas que hoje não se
cruzam podem, um dia, vir a entrelaçar-se. Aquilo que hoje não cabe, um dia
pode vir a completar. A vida é curta, mas sobra tempo para muita coisa.
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