Há dias em que sonhamos demasiado
alto – a ponto de termos das mais duras vertigens. Há dias em que acordamos com
ideias tão inimagináveis, e a léguas do nosso alcance, que nos rimos - tantas
vezes até gargalhar – estupefactos com os níveis de loucura a que a nossa
imaginação pode chegar. O que vale é que tudo passa, a vida continua, e dali a
umas horinhas já nem nos lembramos. Mas… e aquelas ideias que voltam? Uma.
Outra. E outra vez. Sempre? Na verdade, toda a vida me disseram que devia ter
uns quantos parafusos a menos, por isso acho que tudo bem – nada de novo. Ando
com uma ideia dessas na cabeça, a tentar esquecer, e às tantas dei por mim a
pensar: e se este sonho não é meu? Nunca quis nada disto – nada tem a ver
comigo - porquê agora? E lembrei-me de Deus – que é mil vezes maior que nós;
que os sonhos e planos Dele, para cada um, são mil vezes maiores, e melhores
que os nossos. E perguntei-me quantas ideias destas - absurdas aos nossos olhos
e descabidas diante da nossa razão - não poderão vir Dele. O tanto que
ganharíamos se nos víssemos como Ele nos vê? Onde chegaríamos se
acreditássemos, em nós, como Ele acredita? E se estes sonhos, mais loucos,
forem a forma de Deus provocar isto mesmo? E se for esta a forma que Ele
arranja para nos vermos, nem que seja só por um bocadinho, com os Seus olhos? A
forma de Deus mostrar que é capaz de destruir qualquer limite, ou barreira,
desde que confiemos e vivamos no centro da sua vontade? De mostrar que nos faz
uns gigantes, se preciso, desde que o caminho seja sempre Ele e todo para Ele? Ah,
deixem-me ser louca (e cheia de certezas).
quinta-feira, 28 de julho de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
Nação valente.
Meu Ro, a memória de te ver chorar, sentado
no campo, em 2004, é tão tão presente, que ontem, quando te vi, mais uma vez
sentado, como um menino perdido, não consegui acreditar. Não era possível.
Ontem era o dia de uma nação inteira, é certo; era O momento importante para
todo um país. Mas, enquanto 11 milhões nada podiam fazer, tu estavas ali:
estava ao teu alcance; era o teu sonho; tudo o que mais querias – e, porra,
tiraram-te isso. Não era justo – não foi. E veio então aquela borboleta (pssst,
não me venham cá dizer que era uma traça – pela vossa saúde!) beijar-te as lágrimas
– como que num toque divino – e foi então que me virei para Deus. Não gosto de
o meter em nada que tenha a ver com emoções – porque sei que Ele é muito maior
que isso e tem bem mais que fazer – mas também sei que Ele, acima de tudo, é
justo. Então – timidamente e com o maior respeito do mundo – pedi-Lhe apenas
que fizesse justiça: e depois se achasse por bem dar-vos um empurrãozinho…
pronto, ok, também era fixe. Então descansei (vá, tentei. Porque ver em campo
12 contra 11 é coisa que me mexe com os nervos. Injustiça é coisa que me mexe
com o estômago.) para mim já eram enormes, só por estarem ali! Mas havia um
país inteiro à espera de se fazer numa nação vencedora: que acreditava, quando
mais ninguém achava possível - Portugal inteiro merecia! A equipa inteira
merecia (mais que a França, SIM! Óbvio! Mil vezes mais!)! E tu merecias –
depois de tudo – mais do que nunca! Íamos ganhar – fosse pelo que fosse! E
cumpriu-se. O sonho estava ali – e é nosso. Somos campeões! Vocês fizeram uma
nação inteira campeã enquanto se faziam enormes! Meu capitão, já não te falta
nada! Tiveste bem mais de 11 milhões a sentir as tuas dores, a chorar as tuas
lágrimas e sempre – e ainda mais – orgulhosos por te ter como um dos nossos.
Parabéns e obrigado por não abandonares o barco e continuares a dar-lhe sentido;
obrigado por continuares dentro, de alguma maneira, quando todos os outros te
queriam e te viam fora. Obrigado Fernando Santos, pela fé, por ver até onde ninguém
via e ter acreditado, sem duvidar – quando tantos momentos lhe podiam ter
mostrado o contrário – até ao fim. Fé é fé. Obrigado Patrício, por te teres
feito tantas vezes um gigante para guardar aquelas redes. Obrigado Pepe por
teres jogado neste Europeu como não me lembro de te ter visto jogar antes. Obrigado
Renato porque aposto que este mês não teve nada de fácil: porque deviam ser
tantas as vozes contra e tu, não só não ouviste nenhuma, como as soubeste calar
a todas. És grande e a partir daqui é só crescer! Obrigado Quaresma por não papares
grupos (demasiado cliché - eu sei - desculpem, mas tinha que ser!)! Obrigado
Eder, por teres acreditado e visto o que poucos, ou quase ninguém via! Obrigado
Anthony Lopes, Eduardo, Cedric, Vieirinha, Bruno Alves, José Fonte, Pepe, Ricardo
Carvalho, Eliseu, Raphael Guerreiro, André Gomes, Adrien, Danilo, João Mário, João
Moutinho, William Carvalho, Nani, Rafa, TODOS E MAIS QUEM FOR! Fizeram uma nação
inteira campeã (e como é bonito ver o mundo inteiro a celebrar e reconhecer o
meu país) e uma miúda tonta, que adora futebol e fica maluca com a seleção, tão
feliz ao ponto de escrever um texto enorme só à conta da bola. Não vi o que o
selecionador respondeu ao jornalista que lhe perguntou se acreditava que
seriamos, daqui a quatro anos, capazes de repetir o feito: eu responderia que
sim – seja daqui a quatro ou daqui a dois anos. Hoje SOMOS CAMPEÕES. Hoje PODEMOS
TUDO. Amanhã, já sabemos: é lutar e perseguir tudo aquilo em que se acredita. O
sonho nasce dentro de nós: cabe a cada um saber agarra-lo. Vocês souberam e
fizeram história na história de 11 milhões. O caneco é nosso!!! Parabéns,
miúdos! Boas férias!
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