Há dias em que sonhamos demasiado
alto – a ponto de termos das mais duras vertigens. Há dias em que acordamos com
ideias tão inimagináveis, e a léguas do nosso alcance, que nos rimos - tantas
vezes até gargalhar – estupefactos com os níveis de loucura a que a nossa
imaginação pode chegar. O que vale é que tudo passa, a vida continua, e dali a
umas horinhas já nem nos lembramos. Mas… e aquelas ideias que voltam? Uma.
Outra. E outra vez. Sempre? Na verdade, toda a vida me disseram que devia ter
uns quantos parafusos a menos, por isso acho que tudo bem – nada de novo. Ando
com uma ideia dessas na cabeça, a tentar esquecer, e às tantas dei por mim a
pensar: e se este sonho não é meu? Nunca quis nada disto – nada tem a ver
comigo - porquê agora? E lembrei-me de Deus – que é mil vezes maior que nós;
que os sonhos e planos Dele, para cada um, são mil vezes maiores, e melhores
que os nossos. E perguntei-me quantas ideias destas - absurdas aos nossos olhos
e descabidas diante da nossa razão - não poderão vir Dele. O tanto que
ganharíamos se nos víssemos como Ele nos vê? Onde chegaríamos se
acreditássemos, em nós, como Ele acredita? E se estes sonhos, mais loucos,
forem a forma de Deus provocar isto mesmo? E se for esta a forma que Ele
arranja para nos vermos, nem que seja só por um bocadinho, com os Seus olhos? A
forma de Deus mostrar que é capaz de destruir qualquer limite, ou barreira,
desde que confiemos e vivamos no centro da sua vontade? De mostrar que nos faz
uns gigantes, se preciso, desde que o caminho seja sempre Ele e todo para Ele? Ah,
deixem-me ser louca (e cheia de certezas).
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