quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ainda hoje a mãe falou de nós. De como éramos tão chegadas. Do respeito que eu tinha por ti. E ela tem uma noção mas, não tem ideia do quão enormes eram: o respeito e a admiração. Falou de como eu guardava os teus segredos. Mas, ao contrário do que ela pensa não eram os meus bons valores a dar de si, desde criança. Era sim o não haver, para mim, nada mais precioso do que termos algo só nosso para guardar. As conversas madrugadas dentro. As fotos proibidas, sempre com a devida explicação. As tardes deitadas só pelo prazer de não termos que levantar. As danças intermináveis com as musicas mais sugestivas (e pimbas) que nos aparecessem, onde quer que fosse. As horas na cozinha e as combinações mais aterradoras, embora costumassem resultar. Os constantes segredinhos e gargalhadas secretas, que tanto irritavam. Quando me dizias que a minha opinião era decisiva e eu tremia. (quando te vi chorar e me perdi, sem saberes). Hoje nada é igual e vivo bem com isso. Mas. Hoje. Só hoje, que penso, chega a doer. O amor é o mesmo. Eu sinto. Eu vejo. Basta estarmos juntas. Crescer é mesmo uma merda. (e no meio de tanta merda, o que me faz mais medo, é de longe a possibilidade de vos perder.)

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