Acreditamos todos que a felicidade plena, quando chega,
deve ser estrondosa, virar do avesso, e tirar os pés do chão. Nunca nos
lembramos, fazemos até por esquecer, que dos estrondos resultam, praticamente
sempre, estilhaços, que podem ser grandes e traumatizantes; como pequenos,
aguçados e cortantes. Todos magoam, quando certeiros. Quase sempre magoam muito
e fundo, e deixam marca. Nunca consideramos que a felicidade pode ser calma e alcançável.
Basta fazer por ser feliz em cada momento. Fazer cada momento feliz. Ser feliz.
Parece balela, mas acredito mesmo que não. Que não seja. Por vezes – muitas vezes
– tudo o que é mau hoje é essencial para se ser feliz amanhã. Ainda mais feliz.
Ou seja, o que é mau hoje, é mau só hoje. Amanhã já nos vai fazer bem. –portanto,
no fundo, nunca foi mau – No fundo a felicidade é simples e mora muitas vezes
ali, aqui, ao lado. Às vezes o complicado é aprender a dizer-lhe ‘olá’ e a
recebê-la. E se fosse plena, o que daria piada aos dias? Que não se vá embora! Que
seja enorme! Mas nuca plena. A felicidade.
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