quarta-feira, 15 de julho de 2015

O salto.

É isso mesmo, valentona! Podes tudo, não é? Ninguém manda em ti, porque tu és capaz de tudo o que quiseres - ainda mais daquilo que os outros duvidam que a tua coragem permita. Então vá – a hora é agora! Apostas-te com meio mundo que eras capaz de te atirar – sem medos! Aliás, porque terias medo? Medo de quê? Do ar? O ar é nosso – dá-nos vida. Há que o dominar. Mergulhar. Ele está a nosso favor: tem de estar, não é? E a água lá em baixo à espera? Deliciosa, claro! Fresquinha – gelada geladinha: com esse suor sufocante que te envolve agora é, de longe, o que mais precisas para relaxar. Vá lá, vá! Deixa-te de tretas agora! És sempre capaz de tudo: nunca te permitiste descobrir grande coisa sobre o que é desistir – vai ser agora? Por um passo que te vai levar segundos – a sério que te vais armar em uma menininha indefesa? Agora que tens toda a gente na expectativa lá em baixo? O que é essa canela de franguinha a tremer? Por favor, tem vergonha – recompõe-te, vá! Respira fundo. Vamos – com calma - outra vez: inspira e expira! Sorri: vá, não te dói nada – (pelo menos) ainda! Agora uns passinhos em direcção à borda da prancha: sem compromisso – só para ver o panorama! É bonito, vais ver! E não – voltar a descer as escadas não é opção! Tu detestas escadas – e és uma tropeçona: já viste se te espalhavas aqui ao comprido? Enquanto te acovardavas e desistias? É só um salto – a vista é incrível e a água deve estar um gelo de fazer estremecer o mais singelo ossinho do teu corpo: uma delicia, portanto. Na pior das hipóteses parte as perninhas ou o pescoço… Ah, pára!!! Já é divagação a mais! E nunca vai acontecer porque… porque…. vá, tu não mereces! E também não és estupida nenhuma! Sabes perfeitamente: balanço; um bom apoio; braços e pernas bem esticadas… e sim, o teu pescoço vai continuar inteiro, juntinho, perfeitinho – que raio de ideia! Já espreitas-te a piscina: sim, é funda o suficiente – se é para toda a gente, também é para ti. Vá, chega de pensar: é hora de recuares para dar balanço. Um passo e outro. Saltas-te!! SALTEI, CARAÇAS! O ar. A água. Fundo. E já voltei à tona! Meu Deus, quanto tempo durou isto? Um segundo ou uma vida? Outra vida? Eu fui capaz – sou capaz! Se mergulho – no ar e na água – só me faltar lançar na vida. De agarrar e ir fundo. E nos entretantos, mais vale ir saltar outra vez – só para manter a prespectiva que só a adrenalina é capaz de dar e convencer: não há limites e se alguém ousar em nos criar algum, cabe a nós fazermo-nos capazes e lança-lo ao fundo. Para voltar à tona basta acreditar: o ar está ali, à espera - nunca nos vai falhar; e na vida cabe-nos a nós acertar.

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