sexta-feira, 26 de março de 2010

‘ohh ohh! Mas gravas não?! E vamo-nos vendo, não é?!’ ‘Sim, claro que sim. Sempre!!’

Ninguém percebe, eu acho. E percebo, porque a verdade é que, muitas vezes, nem eu percebo. Mas sinto, e é tão bom. É a velha historia que tanto defendemos ‘só quem sente é que sabe!’. Não vou mentir, vou sempre à espera de qualquer coisa. E ele faz com que a fasquia seja alta. Mas pelos vistos ainda não sei esperar à altura dele. Supera-se sempre. Desarma-me num segundo. E depois eu perco-me. Desoriento-me. E só digo o que não devo. E a culpa é dele. Toda. Ninguém o manda ter um coração, assim, sem medida.
Ninguém percebe, o orgulho. O valor que tem. O ser mutuo. Verdadeiro. E por não se ganhar nada, acaba por se ganhar tudo. Tudo o que o coração sente. Tudo o que o faz tão cheio, de tudo o que há de bom. E ainda lhe digo ‘obrigado’, mas chateia-me ter noção que mil ‘obrigados’ não chegam! Adoro-o, e ele sabe. Eu sei que sim. E espero que isso consiga agradecer um pouco, do tanto que ele é. Espero mesmo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Há dois sentimentos que nos ligam às pessoas. Às nossas. Às verdadeiras. Quando somos de verdade um dos outros. Uns com os outros. Na vida uns dos outros. Não há outra hipótese. Eu, na minha vida, não meto outra hipótese. Quando acreditamos mesmo ‘ser para sempre’ não é só amizade que nos liga uns aos outros. Não pode ser. Quando somos e acreditamos mesmo, que somos de verdade, tem que haver amor. Quando deixamos que um outro alguém se confunda connosco, com o que somos mesmo, por dentro, tem que haver amor. Tem que se acreditar profundamente, no outro e em um nós, juntos.
E a parte do não há ‘para sempres’ é mentira. A verdade é que se as amizades acabam, o amor que nos liga não. Tem que mudar. Tem que se alterar. Mas quando é verdadeiro, é mesmo para sempre. Existem zangas. As pessoas mudam. Mudam os feitios. Os interesses. A vida por vezes muda os sentidos. E tudo isto pode fazer uma amizade acabar. Não um amor.
E o que nos mata muitas vezes por dentro é não saber distinguir isto. É mesmo difícil e às vezes, acabamos por manter uma amizade na base do que nos liga. Não nos entende-mos. E magoamo-nos, tanto. Uns aos outros.
É preciso fazer a distinção, por mais que nos mate. É preciso aceitar o que foi e já não é, para saber viver o que é, agora, cada vez mais. Ou o que está agora a nascer. Quando o que nos liga é tão grande, é preciso aceitar que alguma coisa morreu, para que nasça outra, maior e mais completa. Que nos complete como já não completava.
Há vezes em que é preciso deixar as pessoas ir. E outras em que não é preciso nada, porque existem amizades e amores que são sempre, mesmo para sempre.

sábado, 20 de março de 2010

Inconveniência

Irritam-me pessoas. Pessoas irritam-me. Irritam-me pessoas inconvenientes. É que irritam-me tanto. Cada vez mais.
Há dois tipos de pessoas inconvenientes: as naturais. Que são assim e pronto. Espontânea e inocentemente. Não pensam, nem conseguem ter tempo para manobras. Está pensado e está dito. E nem há consciência depois. Ou há um ‘oh, que é que tem?’ e entretanto já se está noutra (outra inconveniência, a maior parte das vezes :P). ou nem se percebem as trocas de olhares ou os sorrisos incomodados. E havia de se perceber porquê? Foi só mais uma conversa. Só mais uma frase, no meio de tantas outras. Nada mais normal, não é?
Esta naturalidade não se encena, nem se pratica. Sente-se. Percebe-se. E acham que é isto que me irrita? Obvio que não! Não sei se talvez será ingenuidade minha mas, eu só me consigo rir com estes momentos. E não é sequer um rir de gozo. Divirto-me a sério. Porque sinto uma genuinidade tão grande. Uma autenticidade inocente. Que esta inconveniência não incomoda. Não pode incomodar.

Depois há o outro tipo. Pessoas inconvenientes com consciência. Que pensam e sabem bem que no meio de tantas frases há Aquela que não é inocente. Mas como vai no meio de tantas outras, vai camuflada de tal modo que não há reacção imediata possível. Não há sequer espaço para que seja possível tal reacção. O objectivo é que ela seja seca e que moa. E fundo. Mais tarde ou mais cedo.
Pessoas que soltam as bocas e os discursos maliciosos por entre risinhos e gargalhadas suaves, para que até pareça mal qualquer reacção mais abrupta e incrédula.
Devia ser explicito que inconveniência não passa de pura falta de educação. É feio, se preferirem.

Gosto de pessoas directas. Duras, se tiver que ser, mas francas. Sempre. No momento certo, ou noutro qualquer. Se não houver hipótese.
Não gosto de ‘inconvenientes conscientes’. Irritam-me.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sentou-se no chão, onde podia ser só e apenas ela. Olhou para o caminho que ficara para trás e apercebeu-se que se desorientou. Não se perdeu, nem deixou de seguir o caminho certo mas desorientou-se algumas vezes. Perdeu tempo com hesitações. Tropeçou. Caiu. Levantou-se. Mas terá sido sempre da melhor forma? Não terá perdido tempo durante as suas quedas? Demasiado tempo até se levantar de novo?

Sentada no chão pergunta-se ‘quando é que deixaste de sonhar?’ e pára. Pára e pensa. Ela não deixou de sonhar. Ela é feita de sonhos. Toda ela é feita de sonhos. Toda. Toda. Tantos. Tantos. ‘exacto! Então quando? Porque é que deixaste de acreditar que tudo é possível?’, ‘oh, eu não… deixei! Se calhar deixei. Oh merda cresci! Cresci e deixei isso pelo caminho! Posso voltar atrás?’, ‘Deixas-te os sonhos para trás? Se deixas-te eles ficam. Já não voltam.’, ‘não, trago-os comigo. Sempre. Sempre. Só não sei. Não sei acreditar como antes.’ ‘pega no saco!’ ‘qual?’, 'esse! Esse onde guardas-te e fechas-te os sonhos. Isso que é o teu coração. Abre-o e solta-os. Sem medo do que poderá ser dito. Deixa-os viver e respirar. Depois, acreditar é fácil. Tão fácil.'

‘Como quando passamos metade do nosso dia a pensar e a querer muito uma coisa e a outra metade a pensar que não podemos pensar, nem querer tão pouco. E quando acontecem determinadas situações que reforçam o que pensamos e passamos os dias entre ‘é tudo coincidência’ e ‘mas bolas, são coincidências a mais!’’ ‘Oh sim! Isso também é sonhar! Mas não feches esses pensamentos no tal saco. Não os prendas. Nem os negues. Solta-os, livres. Deixa-os viver e respirar. Assim, acreditas!’, ‘acredito :), e depois?’, ‘oh, lutas. Lutas sempre. Nem que seja só a acreditar.’ :)