quarta-feira, 24 de março de 2010

Há dois sentimentos que nos ligam às pessoas. Às nossas. Às verdadeiras. Quando somos de verdade um dos outros. Uns com os outros. Na vida uns dos outros. Não há outra hipótese. Eu, na minha vida, não meto outra hipótese. Quando acreditamos mesmo ‘ser para sempre’ não é só amizade que nos liga uns aos outros. Não pode ser. Quando somos e acreditamos mesmo, que somos de verdade, tem que haver amor. Quando deixamos que um outro alguém se confunda connosco, com o que somos mesmo, por dentro, tem que haver amor. Tem que se acreditar profundamente, no outro e em um nós, juntos.
E a parte do não há ‘para sempres’ é mentira. A verdade é que se as amizades acabam, o amor que nos liga não. Tem que mudar. Tem que se alterar. Mas quando é verdadeiro, é mesmo para sempre. Existem zangas. As pessoas mudam. Mudam os feitios. Os interesses. A vida por vezes muda os sentidos. E tudo isto pode fazer uma amizade acabar. Não um amor.
E o que nos mata muitas vezes por dentro é não saber distinguir isto. É mesmo difícil e às vezes, acabamos por manter uma amizade na base do que nos liga. Não nos entende-mos. E magoamo-nos, tanto. Uns aos outros.
É preciso fazer a distinção, por mais que nos mate. É preciso aceitar o que foi e já não é, para saber viver o que é, agora, cada vez mais. Ou o que está agora a nascer. Quando o que nos liga é tão grande, é preciso aceitar que alguma coisa morreu, para que nasça outra, maior e mais completa. Que nos complete como já não completava.
Há vezes em que é preciso deixar as pessoas ir. E outras em que não é preciso nada, porque existem amizades e amores que são sempre, mesmo para sempre.

1 comentário:

  1. Gostei deste texto Anokas. Identifico-me com cada letrinha, porque passei por isso e viviv uma amizade sem medir as consequencias. Beijoka

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