Irritam-me pessoas. Pessoas irritam-me. Irritam-me pessoas inconvenientes. É que irritam-me tanto. Cada vez mais.
Há dois tipos de pessoas inconvenientes: as naturais. Que são assim e pronto. Espontânea e inocentemente. Não pensam, nem conseguem ter tempo para manobras. Está pensado e está dito. E nem há consciência depois. Ou há um ‘oh, que é que tem?’ e entretanto já se está noutra (outra inconveniência, a maior parte das vezes :P). ou nem se percebem as trocas de olhares ou os sorrisos incomodados. E havia de se perceber porquê? Foi só mais uma conversa. Só mais uma frase, no meio de tantas outras. Nada mais normal, não é?
Esta naturalidade não se encena, nem se pratica. Sente-se. Percebe-se. E acham que é isto que me irrita? Obvio que não! Não sei se talvez será ingenuidade minha mas, eu só me consigo rir com estes momentos. E não é sequer um rir de gozo. Divirto-me a sério. Porque sinto uma genuinidade tão grande. Uma autenticidade inocente. Que esta inconveniência não incomoda. Não pode incomodar.
Depois há o outro tipo. Pessoas inconvenientes com consciência. Que pensam e sabem bem que no meio de tantas frases há Aquela que não é inocente. Mas como vai no meio de tantas outras, vai camuflada de tal modo que não há reacção imediata possível. Não há sequer espaço para que seja possível tal reacção. O objectivo é que ela seja seca e que moa. E fundo. Mais tarde ou mais cedo.
Pessoas que soltam as bocas e os discursos maliciosos por entre risinhos e gargalhadas suaves, para que até pareça mal qualquer reacção mais abrupta e incrédula.
Devia ser explicito que inconveniência não passa de pura falta de educação. É feio, se preferirem.
Gosto de pessoas directas. Duras, se tiver que ser, mas francas. Sempre. No momento certo, ou noutro qualquer. Se não houver hipótese.
Não gosto de ‘inconvenientes conscientes’. Irritam-me.
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