Dá-me a mão. Preciso de ti. Dá-me as duas mãos. Ampara-me. Dá-me estabilidade. Faz com que o teu equilíbrio compense a deficiência do meu. Sinto-me cega. Às escuras. E no escuro só há vento e de nada me serve o chão se não existem os pontos fixos para me trazerem o equilíbrio. Dá-me a tua mão. Sê o meu ponto fixo. Deixa-me caminhar até ti. Orientada por ti. Orienta-me. E então sê a minha luz. Continuo às cegas. Continuo às cegas. Como se na minha visão estivesse apenas um estore fechado com pequenas fendas. Micro-peças de um grande puzzle, que até já está montado. Apenas se encontra à distância de uma janela que estando perto, é tão difícil de chegar. Levanta o estore e abre a janela. Faz-me ver o puzzle inteiro. Ou guia-me e deixa-me chegar. Deixa-me lutar. Oh meu deus, eu quero tanto lutar! Deixa-me. Ensina-me. Mostra-me. Porque eu sei que depois dessa janela, a dos estores corridos e fechados, está uma paisagem. Perfeita. Preparada para mim. E mais ninguém pode chegar. Só eu. Tenho que chegar e faze-la minha. E chegar contigo. Aliás, chegar a ti primeiro. Não te peço que seja fácil. Dá-me armas, se quiseres, e faz-me lutar. Mas faz-me chegar. Chega comigo. Fica comigo. Ou melhor, faz-me ficar. Contigo.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Como se ama quem nunca te amou? Como respeitar quem nunca te respeitou? Como perdoar essa falta de amor e respeito? É tão difícil. É tão difícil quando existem tantos pré-conceitos que nos dizem e mostram que devemos dar tudo aos nossos. Mas como se dá a quem nada te deu? Como dar carinho a quem nunca te deu colo e de onde só conheceste rispidez e arrogância? Como respeitar quem sempre suspeitaste te desprezar? Quem sempre te atirou à cara as tuas dificuldades e impossibilidades? Chamem-me a pior pessoa do mundo, eu muitas vezes sinto que o sou, mas eu não consigo. E se, se deve respeitar e acarinhar, eu só consigo ser cordial, o que nem sempre é fácil. E muitas vezes ríspida, o que me magoa mais a mim do que a qualquer outra pessoa. Porque eu não sou assim, nem gosto. Porque por maiores que sejam os laços que nos unem, os laços afectivos não são nenhuns. Não existem. E tudo o que nos une, no fim, não passa da distancia abismal que nos separa.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
motivação.
Motivação. Estão sem motivação e vêm-me dizer isso com essa lata, sabendo por tudo o que passo? Não têm motivação para estudar, porque sim. Não têm motivação para lutar pelo futuro com que sempre sonharam porque é arriscado demais. Deixar tudo para trás. Deixar a casinha dos papás. Ou a comidinha que fazem e até passam, só custa a engolir. Deixar o colinho de tanta gente e de tanta coisa que faz o vosso mundo. E faz medo deixar assim, coisas demais. E então deixam-se antes os sonhos. Pois, ‘tá claro! Porque é mais fácil ficar pela (falsa) segurança que o país nos dá, que é nenhuma, do que arriscar! Porque até é mais fácil ficar em casa a ver a vida passar, do que correr riscos. Está certo. E porque são tantos os medos, que vos falha a motivação. Óbvio, então. O facto de terem uma vida inteira pela frente. Uma vida inteira que podem viver em pleno, sem restrições. Sem ter à partida nada que vos prenda, não é motivação suficiente. Não chega. Pois. Ora, não me lixem. Nem me gozem! Às vezes parece que essa vida tão despreocupada e desregrada vos incapacitou e encurtou horizontes. Parece que vos faltou problemas para resolver, e não falo de equações matemáticas. E agora, qualquer indício de sofrimento vos aterroriza. Nem se permitem a senti-lo, mesmo que suspeitem, vir a ser, mais à frente, para vosso benefício. Não são capazes de investir no desconhecido, mesmo que seja apenas para o vosso próprio bem. Não vos falta motivação, falta-vos coragem. Não vos falta motivação, sobra-vos cobardia. A motivação, a vossa, está aí, em todos esses sonhos que eu sei que ainda têm. Portanto, não a dêem como desculpa. Não me gozem!
(e se algum de vocês ler isto, não me mate, que eu sei que também tenho a minha cota parte de culpa em tudo isto.)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
felicidade.
Não acredito que a felicidade seja feita de momentos. Não acredito que algo tão essencial possa ser tão efémero, vulnerável e selectivo. Acredito sim que a real felicidade tem que ter grandes e fortes raízes. Tem que ser construída e edificada sob uma base sólida. Não acredito numa felicidade plena (essa sim cinge-se a momentos), mas acredito numa felicidade permanente. Na verdade, não há vidas perfeitas e todos temos problemas. Uns maiores, outros menores. Na verdade, todos somos frágeis. Não acredito em vidas sem problemas. Acredito que a felicidade se pode tratar de uma relação entre problemas e fragilidade. Ou entre força e superação. Pontos de vista. Lá está, depende tudo de pontos de vista. Acredito que existe uma força que permita a existência de uma felicidade permanente. Acreditando que a felicidade é feita de momentos, eu acredito que os bons superam sempre os maus. E sim, obvio, não é tão fácil assim. Somos nós que permitimos, ou não. É a nossa força. É tudo o que somos e trazemos por dentro que o permite. É sermos mais. Porque tudo o que é mau e negativo, é menos. Tem que ser menos do que somos nós. Não nos pode superar e muito menos apagar. E a nossa felicidade é o que somos. Maior ou menor, a nossa felicidade define quem somos. E acredito que todos queremos ser mais. E felizes. E plenos. Por isso temos que a agarrar, a felicidade. E correr. E lutar. E permanecer. Temos que aprender. A ser fortes, sempre. A superar, sempre. A acreditar, sempre. E a acreditar ainda mais quando parece não haver razões. Nesses segundos. Sim, porque esses momentos só podem levar segundos. E temos que crescer. E amadurecer e acreditar naquilo que somos, ou queremos ser. Traçar o caminho até onde queremos chegar. Temos que ser maduros, determinados. Ter um chão seguro. Temos que superar. Ser maiores e diferentes. Assim, um dia vamos descobrir que vamos de mãos dadas com a nossa felicidade permanente.
