quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

contigo.


Dá-me a mão. Preciso de ti. Dá-me as duas mãos. Ampara-me. Dá-me estabilidade. Faz com que o teu equilíbrio compense a deficiência do meu. Sinto-me cega. Às escuras. E no escuro só há vento e de nada me serve o chão se não existem os pontos fixos para me trazerem o equilíbrio. Dá-me a tua mão. Sê o meu ponto fixo. Deixa-me caminhar até ti. Orientada por ti. Orienta-me. E então sê a minha luz. Continuo às cegas. Continuo às cegas. Como se na minha visão estivesse apenas um estore fechado com pequenas fendas. Micro-peças de um grande puzzle, que até já está montado. Apenas se encontra à distância de uma janela que estando perto, é tão difícil de chegar. Levanta o estore e abre a janela. Faz-me ver o puzzle inteiro. Ou guia-me e deixa-me chegar. Deixa-me lutar. Oh meu deus, eu quero tanto lutar! Deixa-me. Ensina-me. Mostra-me. Porque eu sei que depois dessa janela, a dos estores corridos e fechados, está uma paisagem. Perfeita. Preparada para mim. E mais ninguém pode chegar. Só eu. Tenho que chegar e faze-la minha. E chegar contigo. Aliás, chegar a ti primeiro. Não te peço que seja fácil. Dá-me armas, se quiseres, e faz-me lutar. Mas faz-me chegar. Chega comigo. Fica comigo. Ou melhor, faz-me ficar. Contigo.

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