A pior saudade é aquela que se
tem, daquilo que se sabe que não vai voltar a ser. A pior das saudades é a que
já se sabe ser impossível matar. Há saudades que precisam ser mortas e
exterminadas, por nós, para não nos matarem. Para que não sejam elas a dar cabe
do que somos. Há quem diga que as memórias são o bem mais precioso que se pode
guardar. Mas memórias servem para construir e contar histórias. Memórias servem
para que as nossas histórias nunca se percam. Mas nem todas as boas memórias fazem,
necessariamente, parte de uma boa história. E as historias que não nos
acrescentam, não se devem guardar. Porque, quando guardadas, fazem sempre questão
de ser as mais vezes lembradas e recordadas. E o que não nos acrescenta e se
faz presente, que insiste ser presente, só diminui. Só nos pode diminuir.
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