sexta-feira, 26 de junho de 2015

Sempre teve o impulso dos voos: em criança quis ser borboleta colorida, quando cresceu passou a correr atrás de aviões – voos que a levassem até onde a novidade morava, quando a novidade acabava, voltava. Hoje ia realizar mais um sonho em voo: saltar de asa delta. Nervosa, mas feliz, ia com vontade de morder o mundo. Ia saltar com um amigo do irmão: o mais giro de todos, que nuca lhe tinha ligado nenhuma. Prepararam-se e correram a saltar. Em pleno voo, olharam-se e ela roubou-lhe um beijo, deixando-o sem fôlego. Surpreendentemente, de seguida, ele declarou-se dizendo-lhe: “o céu pode ser nosso. Fica comigo - acredita: podemos ser para sempre.” E, em meio à imensidão do céu, lançaram-se ao infinito - dispostos a fazerem-se donos dele.

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