Sempre teve o
impulso dos voos: em criança quis ser borboleta colorida, quando cresceu passou
a correr atrás de aviões – voos que a levassem até onde a novidade morava,
quando a novidade acabava, voltava. Hoje ia realizar mais um sonho em voo: saltar
de asa delta. Nervosa, mas feliz, ia com vontade de morder o mundo. Ia saltar
com um amigo do irmão: o mais giro de todos, que nuca lhe tinha ligado nenhuma.
Prepararam-se e correram a saltar. Em pleno voo, olharam-se e ela roubou-lhe um
beijo, deixando-o sem fôlego. Surpreendentemente, de seguida, ele declarou-se
dizendo-lhe: “o céu pode ser nosso. Fica comigo - acredita: podemos ser para
sempre.” E, em meio à imensidão do céu, lançaram-se ao infinito - dispostos a
fazerem-se donos dele.
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