Ali estava Carlos, com uma mesa incrível
de pequeno-almoço, junto ao mar de uma praia paradisíaca: sozinho – como era
sempre. Um homem bem-sucedido, de uma inteligência imensa e com uma perspicácia
crua e astuta. Tinha o que queria e chegava sempre onde se projectava - Mas era
nu em afectos. Simpático e sempre cordialmente bem-educado, era incapaz de gerar
empatia por quem fosse. Ninguém era suficiente interessante ou inquietante: as
mulheres eram sempre demasiado perto. Nenhuma o desafiava mais que as suas
próprias metas; nenhuma valia mais do que um par de horas de atenção. Carlos
era vazio de um coração, que para ele não passava de uma bomba: uma máquina que
o mantinha vivo e que lhe permitia ganhar sempre mais e ir mais longe – isso
chegava-lhe. Bastava-lhe olhar para aquela praia, deserta e inacessível, e
sentir que podia comprar a sua paz. Ser alguém era ser superior. Ter paz era
pagar por horas de silêncio. E ele perdia-se sem saber: e, sendo sozinho, nunca
ninguém o iria procurar. Um dia aquela paz, seria o seu inferno.
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