quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Coincidências.

Naquele fim de tarde, ainda bem quente, Pedro e Catarina, dois velhos amigos de infância, matavam saudades enquanto aproveitavam para se despedir do Verão que estava mesmo no final. Tinham estado longos anos sem se ver. Mudanças de escolas, depois mudanças de vida: afastaram-se e desencontraram-se sem se quer darem por isso. E sobretudo: sem se esquecerem. Há histórias e pessoas que nunca se perdem: por maior que seja a distância, por menor que seja o contacto – constroem-nos. São nossas e somos nós – e, por isso, nunca deixam de ser presentes. Pedro e Catarina tinham-se encontrado no dia anterior – depois de um século e várias vidas. Estavam os dois de férias e encontraram-se no supermercado, enquanto abasteciam dispensas. Andavam, os dois, sozinhos às compras, mas tinham ido de férias acompanhados: ele com um grupo de amigos e ela com o namorado. Já tendo coisas combinadas para aquela noite combinaram ir beber um copo ao final da tarde, no dia seguinte. Mal conseguiam acreditar no quão incrivelmente bom era aquele reencontro. Depois de passarem horas a relembrar mil e uma histórias e aventuras, começaram então a falar do agora. Ele – o maior mulherengo, irresponsável e sem grandes rasgos de consciência – estava noivo e perdidamente apaixonado, segundo ele, pela miúda certa e a mais incrível de todas. Catarina quase não conseguia acreditar no quanto o amigo tinha crescido e fez questão de lhe mostrar o quão feliz ficara por ele. Ela também estava muito feliz e tinha a certeza que encontrara a pessoa certa – “o tal”. E a conversa acabou por se centrar no amor. Pedro mostrou inúmeras fotos da sua princesa e não se cansou de dizer o quanto a achava linda e especial. Catarina não ia munida de fotos, como o amigo, mas, depois de explicar que João, o namorado, não a tinha acompanhado por estar surpreendentemente cansado tendo, por isso, preferido passar em casa para dormir um bocado e recuperar forças para ir ter com os dois depois, não se poupou nem cansou de o elogiar. João era realmente diferente e especial: um romântico incorrigível, sempre a preparar alguma surpresa que afastasse a monotonia e a deixasse – ainda – mais feliz. Além de ter um sentido de humor fora do comum – até mesmo surpreendente. Todos os seus amigos e família o adoravam e Catarina confessou a Pedro que isso lhe dava uma confiança que ela nunca pensara vir a ter em alguém. Pedro estava realmente muito feliz por ela e cheio de curiosidade para conhecer o rapaz que lhe fazia assim tão bem. Pedro confessou que adora pessoas divertidas e cheias de sentido de humor. Começaram então a falar de um casal gay, seu amigo, loucamente divertidos e muito fora do comum. Não conseguiam parar de partilhar histórias e de rir. Até que Catarina começou a acenar a alguém. “Finalmente! Ali… O João chegou!” – disse-lhe ela por entre gargalhadas. Ainda a rir e cheio de curiosidade, Pedro apressou-se a procurar por onde a amiga apontava. Logo petrificou. “Não. Não podia. Era coincidência.” – pensou Pedro. Forçou o olhar para ver se vinha mais alguém, quando a amiga se levantou e foi abraçar… o João. Mas… aquele João que a fazia tão feliz era o mesmo João que fazia feliz o André… o melhor amigo de Pedro.

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