Era dia 23, eu andava no stress das últimas compras. Não via ninguém. As únicas pessoas que vi, vieram atrás de mim chamar-me. Imagino as figuras de mal-educada que não terei feito. Ia a entrar numa loja e oiço ‘ana!’, não liguei. ‘oh Ana!’, ok, deve ser para mim… olhei e petrifiquei!! ‘lembras-te de mim??’ pronto, murro no estômago! Esquecer-me dele era esquecer-me do ano que mais me marcou. Mais me fez. Mais me mudou. Logo ele que era dos essenciais. Falámos. Falámos. ’não sabia de ti há tanto tempo!’ ‘desde o dias matriculas...’ (lembrei-me depois de ele ainda ter estado num dos nossos jantares.) falámos. Mas eu não lhe dei o abraço ‘habitual’. Foi estranho. No final de contas, já somos crescidos.
(e isto não me sai da cabeça. Para o ‘lembras-te de mim?’ as resposta era ‘não é suposto as princesas se esquecerem dos seus princepes!!’ foi logo a resposta que me veio à cabeço. Tenho saudades daquele mundo nosso. Que criamos e que viviamos tao intensamente. Saudades das minhas porcas e dos meus homens todos. De ser a menina mimada pela aquela gente toda. Do colinho daquela gente toda. De ser a batatinha, a manelita, a fiLinha, a krabinha, a bezuca, a princesa… a ninhas. Tenho saudades e magoa-me ver que as coisas se vao perdendo. Tenho saudades. Lembro-me mesmo muitas vezes, de tudo. De todos. Não me esqueço. Nunca me vou esquecer.)