‘Oh ana, foste mesmo fria. É natal…’
Sim, foi natal. E então? Adoro o natal. Gosto mesmo da época. Mas o natal não apaga as atitudes que se têm ao longo do ano. Não apaga a magoa nem a desilusão, nem pode. Desculpem lá se ‘é natal’, mas o natal não tem a magia do esquecimento em mim. Não me esqueço. Muito menos consigo ser falsa. Estou magoada, e o que me magoa mais é a desilusão. Fui fria, muito. Mas não vou pedir desculpa por isso. Ninguém pediu desculpa pela merda que fez, nem se mostrou minimamente arrependido.
Foi estranho. As horas não passaram como por magia. Eu não deixei a comida toda no prato, por entre mil conversas e gargalhadas que me ocupavam o tempo para comer e me roubavam a fome. Foi uma falta avassaladora, de partir o coração. E partiu mesmo. Eu sei que é assim que faz sentido. Que, como era, provavelmente nunca vai voltar a existir, perdeu o sentido. Eu percebo, se calhar melhor do que ninguém. Mas isso não me deixa menos triste.
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