terça-feira, 17 de março de 2015

O que era para ser –mais feliz e perfeito. Não foi.

O dia tinha nascido lindo com sol, um calor bom e ainda corria um vento fresco, docemente suave, tudo parecia perfeito; mas dentro dela só havia tempestade, trovões rasgavam-na por dentro e uma chuva miudinha, terrivelmente fria, não a deixa esquecer, nem parar de sentir, tudo a atormentava. Não era para ser assim e saber disso era o que a matava, segundo após segundo, sempre mais um bocadinho, tudo tinha sido programado para aquele ser o dia mais feliz e perfeito; não havia como prever que, um mês antes, tudo desmoronaria. Ela era a dona e princesa do seu tão sonhado conto de fadas; mas, agora que o dia mais esperado tinha chegado, já não era nada. Sempre soube que todas a histórias de princesas tinham a sua terrível bruxa má; nunca pensou que na sua história a bruxa estivesse no papel de melhor amiga. Sempre lhe dera o melhor que sabia ser, tinha bem noção disso; mas o seu melhor não lhe chegava, não era o tudo que ela queria. Arrancaram-lhe o coração, inteiro e a sangue frio, e com ele levaram todo o seu amor; nem no chão onde pisava conseguia confiar, desconfiava sempre, não estivesse ele pronto a abrir-se para a engolir. Perdeu a confiança em todas as certezas que a construíam e sustentavam; nem o próprio nome a fazia relembrar quem era, porque já não era quem tinha sido.

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