quarta-feira, 25 de março de 2015

A casa, o lar – o último adeus.

Aquela era a casa que lhe lembrava um lar (antiga, tinha perto de quarenta anos) era ali que aprendera a ser quando ainda não sabia quem era. Olhava para aquele chão de madeira, velho e gasto (outrora alcatifado) e recordava cada brincadeira, cada riso e cada lágrima, cada amor. Agora mesmo vazia, sendo apenas chão e paredes, continuava a encontrar ali um aconchego que jurava não existir em mais lado nenhum. Em cada esquina, canto ou divisão era como se o pudesse encontrar ali, a qualquer segundo (mesmo sabendo que já não estava, que já tinha partido há mais de dez anos), entrar naquela casa era como se o pudesse abraçar para sempre. Ali, onde tinham vivido tão felizes, era como se as memórias pudessem viver para sempre ainda que fossem passado (eram como um degrau no presente que pudesse levar à construção de um futuro) como se não se visse um fim. Sentada no chão em frente à porta podia, por momentos ou horas, viver da esperança de o ver chegar (sabendo que não chegaria, era impossível) aos seus braços, só mais uma vez. Era ilusão e ela sabia, não era louca, mas era hora de se desfazer daquele lar e este, ela sabia-o, seria, de vez, o último adeus.

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