O medo estava ali, presente - tal
qual uma pessoa caminhava, lado a lado, com ela. Ela só pensava em gritar, em
por cá para fora tudo o que a corroía compulsiva e insistentemente - por
dentro, nas entranhas, onde mais ninguém alcança; onde até ela quase não pode
chegar -, mas era como se a observasse de perto e lhe ordenasse silêncio. Fazia
parte do jogo; um jogo com dois únicos jogadores – ela e o medo- e ela sabia-o
bem. Todo o medo, receio e angustias que armazenou e alimentou por tanto tempo
– tempo demais -, estavam agora ali, munidos de todas armas, diante dela,
prontos a derrubá-la num só golpe, numa só jogada. Chegara a hora de ser mais
forte, maior, mais capaz e vencer-se a si mesma; mesmo quando tudo em si
gritava que não podia, não era capaz, nunca conseguiria – ela sabia que sim,
tinha em si toda a força e ainda uma maior vontade, ia fazê-lo, ia conseguir
vencer. Agora, o medo teria que ser apresentado ao silêncio - que o dominaria,
se possível, por toda uma eternidade -, e conformar-se com a sua superioridade.
Porque se o medo tinha como trunfo os seus pontos fracos, as suas falhas e
vergonhas, as suas grandes armas seriam toda a coragem e toda a certeza; nem
sempre o jogador mais forte vence o jogo, muitas vezes a persistência e a fé
vão além, constroem o impossível. Aquele era o seu jogo, era ela quem o
controlava e agora que percebera isso- ela acreditava.
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