Vasco era estupidamente tímido e
acanhado. Um simples “Olá”, mais inesperado ou efusivo, era suficiente para o
desfazer em vergonha. Numa noite de verão saíra com os amigos e parecia ter
sido escolhido como o alvo de chacota do grupo. Vasco sentia-se todo a tremer e
a cara inteira a queimar de nervos e vergonha. Ao sentir-se observado, deu-se
conta que Rita – a miúda mais incrível e por quem era perdidamente apaixonado,
em segredo – o olhava com pena, de um canto, do lado oposto do bar. Em noite de
karaoke, viu o microfone aberto e revoltou-se: mesmo aos tropeções, com tantos
nervos, escolheu a música mais pirosa de que se lembrou, foi até ao microfone,
no meio do palco – cantou-a e declarou-se.
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