terça-feira, 25 de agosto de 2015

Vasco era estupidamente tímido e acanhado. Um simples “Olá”, mais inesperado ou efusivo, era suficiente para o desfazer em vergonha. Numa noite de verão saíra com os amigos e parecia ter sido escolhido como o alvo de chacota do grupo. Vasco sentia-se todo a tremer e a cara inteira a queimar de nervos e vergonha. Ao sentir-se observado, deu-se conta que Rita – a miúda mais incrível e por quem era perdidamente apaixonado, em segredo – o olhava com pena, de um canto, do lado oposto do bar. Em noite de karaoke, viu o microfone aberto e revoltou-se: mesmo aos tropeções, com tantos nervos, escolheu a música mais pirosa de que se lembrou, foi até ao microfone, no meio do palco – cantou-a e declarou-se.

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