quinta-feira, 7 de maio de 2015

A noite chegara e o desespero tomava-lhes conta: do corpo e da esperança. Já tinham perscrutado tudo – todas as ruas, cantos e recantos – e tudo fora em vão; embora custasse era altura de aceitar: a sua menina desaparecera. Sem que pudessem perceber, ali, debaixo dos seus olhos, fintara-os e fugira; agora corria e lançava-se, de peito aberto, a todos os perigos de que sempre a protegeram – a tudo de que sempre a quiseram desviar. Sem que houvesse muito mais que pudessem fazer não conseguiam aguentar as tamanhas questões que, sozinhas – sem que perguntassem por elas –, se soltavam e cruelmente os torturavam: como pode alguém perder-se no meio de um amor criado para salvar? Como se pode salvar alguém que só se consegue encontrar perdido?

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