quarta-feira, 6 de maio de 2015

Nem ela se conseguia encarar ou aguentar; a culpa consumia-a e começava a tirar-lhe o ar (todo, e cada restinho dele também). Elaborava, na sua cabeça, desde os mais simples aos mais mirabolantes planos a fim de se tergiversar; tendo perfeita noção de que tudo era em vão: ninguém aceitaria nenhum dos possíveis argumentos – quando nem a si traziam qualquer tipo de paz. Ela sabia que toda a desilusão e revolta que causara a deviam envergonhar e preocupar; mas, na verdade, aquilo que a torturava - sem qualquer condescendência ou intervalo - era toda a pena que sentia de si mesma: e era tanta! Tratava-se de uma personalidade incrível – digna de todo o respeito e admiração de muitos – mas sabia que a sua existência era das mas inúteis e tristes: tendo tudo, sem que algo lhe faltasse, exista sem nada. Não conseguia sentir afecto por ninguém e todo o amor - que não fosse o próprio – era a sua mais abstracta utopia. Ela sabia – no fundo, só ela o sabia –o quanto era triste e deplorável ser nada no meio de tanto (que para tantos outros seria tudo).

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