quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

princesas não se esquecem dos seus princepes.

Era dia 23, eu andava no stress das últimas compras. Não via ninguém. As únicas pessoas que vi, vieram atrás de mim chamar-me. Imagino as figuras de mal-educada que não terei feito. Ia a entrar numa loja e oiço ‘ana!’, não liguei. ‘oh Ana!’, ok, deve ser para mim… olhei e petrifiquei!! ‘lembras-te de mim??’ pronto, murro no estômago! Esquecer-me dele era esquecer-me do ano que mais me marcou. Mais me fez. Mais me mudou. Logo ele que era dos essenciais. Falámos. Falámos. ’não sabia de ti há tanto tempo!’ ‘desde o dias matriculas...’ (lembrei-me depois de ele ainda ter estado num dos nossos jantares.) falámos. Mas eu não lhe dei o abraço ‘habitual’. Foi estranho. No final de contas, já somos crescidos.

(e isto não me sai da cabeça. Para o ‘lembras-te de mim?’ as resposta era ‘não é suposto as princesas se esquecerem dos seus princepes!!’ foi logo a resposta que me veio à cabeço. Tenho saudades daquele mundo nosso. Que criamos e que viviamos tao intensamente. Saudades das minhas porcas e dos meus homens todos. De ser a menina mimada pela aquela gente toda. Do colinho daquela gente toda. De ser a batatinha, a manelita, a fiLinha, a krabinha, a bezuca, a princesa… a ninhas. Tenho saudades e magoa-me ver que as coisas se vao perdendo. Tenho saudades. Lembro-me mesmo muitas vezes, de tudo. De todos. Não me esqueço. Nunca me vou esquecer.)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

‘Oh ana, foste mesmo fria. É natal…’

Sim, foi natal. E então? Adoro o natal. Gosto mesmo da época. Mas o natal não apaga as atitudes que se têm ao longo do ano. Não apaga a magoa nem a desilusão, nem pode. Desculpem lá se ‘é natal’, mas o natal não tem a magia do esquecimento em mim. Não me esqueço. Muito menos consigo ser falsa. Estou magoada, e o que me magoa mais é a desilusão. Fui fria, muito. Mas não vou pedir desculpa por isso. Ninguém pediu desculpa pela merda que fez, nem se mostrou minimamente arrependido.

Foi estranho. As horas não passaram como por magia. Eu não deixei a comida toda no prato, por entre mil conversas e gargalhadas que me ocupavam o tempo para comer e me roubavam a fome. Foi uma falta avassaladora, de partir o coração. E partiu mesmo. Eu sei que é assim que faz sentido. Que, como era, provavelmente nunca vai voltar a existir, perdeu o sentido. Eu percebo, se calhar melhor do que ninguém. Mas isso não me deixa menos triste.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

hoje ofereceram-me um arco-íris como prenda de natal :)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

uma hora.

´tens que lutar!’ ´tens que lutar!’ ´tens que lutar!’

Uma hora, assim. enquanto eu fingia estar super concentrada na merda da mão e na estúpida da garrafa que tinha que apanhar. (e estava concentrada. Nos parvos dos meus olhos que teimavam em ficar húmidos…). Até que me saí com um bruto e atrapalhado ‘não percebes que é mesmo difícil?!’. ‘que se lixe!!! Que se lixe se é difícil, é a tua vida!’ eu já desesperada com o estado dos meus olhos ‘pronto! Prometo que vou fazer do Google o meu melhor amigo, pode ser?’ ‘prometes? Mas mesmo! Tens que lutar!’.

Sempre pensei que acreditava em mim. Tenho descoberto que há quem acredite muito mais. E é bom. É mesmo. Tenho descoberto quem está e quem não está. Quem é verdadeiro e quem não é, de todo. Tenho aprendido a ter orgulho em mim, e como isso é importante.

(e agora o facebook sai-se com ‘cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre. e ontem na homenagem à mafa (que me fez sentir as saudades esmagadoras que tenho daquele mundo…) fiquei com ‘E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor.’ na cabeça. Porque é isto. É isto que eles me pedem e que provavelmente vai ter que ser. Mas não volto, mesmo que não acreditem.)

sábado, 11 de dezembro de 2010

alegro, mesmo alegre

Eu só me ri. Ri-me da sorte que temos sempre que chegamos à fnac e já não há lugares (um muito muito obrigado às meninas, mesmo.). ri-me da discussão que tivemos de uma ponta à outra da fnac. Do ar de amuado, que lhe passou logo, assim que começou. Da cara do João quando nos viu. Do teu ataque de riso quando ele estava a falar a serio e do safanão que te dei (ok, aqui tentei mesmo não rir haha). Das voltas que ele dá para não o conseguirmos acompanhar. De cada vez que adivinhamos o que se segue. Do mistério do nosso amigo João. Do Zé Zé camarinha, ou possível. Da teoria sobre os talentos do senhor e da cara de chocada dos dois. Da apresentação entusiasta e do ar do João. De como a conversa salta de cascais para paris e para Macau. E do ‘O João é um bacano!’.

Eu perdi a respiração, na palma e a mão, porque sim. Na prenda de natal, porque foi mesmo bonito :). Quando disse que a maioria de nós só veria para o ano (não raciocinei logo que Dezembro já cá está, está bem? Pareceu-me imenso tempo, haha). Quando nos basta olhar uma para a outra para saber e sentir. Quando eu me estava a rir da história do Zé Zé e a mandar vir com alguém e me agarram o braço. E eras tu. E eu olho para a fila e depois para ti, e percebeste o meu ar de ‘como?’, ris-te e dás-me um abraço. Perdi a respiração quando depois de analisares seriamente o caso ‘faz-se bem’ me saiu com um ‘aí é que te fartavas’ e me respondes com um ‘não Ana, não!’ com uma cara super seria para me fazeres acreditar mesmo e te dei outro abraço. Perco a respiração porque acho que vocês deram um pulo em actuações ao vivo. Acho mesmo que estão com uma garra diferente, cada vez melhor. E é giro. Parece que vos vejo crescer e é mesmo muito bom. Fico mesmo contente. (e porque te adoro. mesmo. e é inexplicável.)

E no caos em que está a minha vida, eu aqui consigo ser mesmo feliz. E isso é que vale (e vale muito.)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

-‘às vezes acho que só posso ser infeliz…’
-‘HAMM?! Essa saiu-te de onde agora?’
-‘então não se está a falar de sonhos? Eu tenho tantos. E todos tão grandes… às vezes acho que vou ser infeliz porque sei que é mesmo difícil realiza-los. E a culpa é minha que os faço tão grandes, eu sei’
-‘então mas os sonhos são mesmo assim: tem que se lutar para realiza-los e ser feliz com isso… e ainda mais quando se consegue!!’

Eu sei que estou sempre a dizer que me tenho de deixar disto. Que a vida já me mostrou de mil maneiras diferentes que não nasci para sonhar. Que tenho é que meter os pés bem assentes na terra. Um discurso bem armado e sustentado e no qual eu acredito mesmo. Chego à prática, faço exactamente as avessas. Quando dou por mim, estou metida de cabeça ( e coração) num novo sonho. Mesmo que seja um dos mais triviais e do dia-a-dia, como imaginarmos a forma perfeita de dado momento, que já sabemos que vai mesmo acontecer, se poder vir a desenrolar. É bom sonhar, admito. E eu não consigo fugir disso, juro que tento! Melhor que sonhar só mesmo ter com quem sonhar. Ter quem nos acompanhe, que sonhe connosco. Este é um dos difíceis de realizar. Mas só os momentos em que não senti espaços para dúvidas, já foram tudo. Não sei como vai acabar (espero que bem melhor do que consigo imaginar!), mas sonhar assim já é tão tão bom. :)

(lembro-me dela dizer-me ‘és a menina mais sonhadora que conheço.’, na volta sempre teve razão.)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Tenho medo. Porque não sei. E como não sei, tenho medo. Muito. Tenho um pressentimento, que me faz esperar, todos os dias, com muita força, estar tão errada. Porque podia correr tudo bem, de qualquer maneira. Mas esse caminho foi bloqueado. Agora, ou corre bem ou não corre. E se não, é mesmo difícil (diria, impossível quase) dar a volta. Ainda não dei bem a última. Não quero, não posso, não consigo meter-me noutra. Não faças. Não desiludas. Não? A sério. :)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

do Olga, com FNAC

Meio do concerto:

- Sara, é que este está a ser o melhor concerto dele não é por nada…
- mesmo!!! Já viste este público? Brutal!

Final

- Foi o melhor, não foi?
- Foi!!!

- O que é que acharam? É que lá atrás foi difícil conter lágrimas. Correu muito bem…
- Foi o melhor, Maria. O melhor de sempre! O público estava fenomenal… e ele merece… muito mais.

- gostaste?
- O que queres que te diga?! Foi mesmo muito bom! Desta superaste tudo, João!!
- Mas e tu, gostaste?
(risos :) )

FNAC

- então, Anocas!!
- então João, há tanto tempo!
- Ana, desde ontem!! (risos, haha)
- então mas o que acharam de ontem? É que nós achamos que foi o melhor que demos…
- o que é que te dissemos ontem? Se tu achas, nós temos a certeza! Foi mesmo o melhor de sempre! E tu mereces. Tanto!!!
- oh, eu vi-te…
-HAM?!
(descrição pormenorizada. eu provavelmente com a maior cara de parva e tu com aquela cara de ‘o que é que queres?’ :) tens sempre destas. Há sempre qualquer coisa que me lembra que é por isto que te adoro. Porque és sempre tu. Único e especial, sempre mesmo muito tu :) )

E acho que esta é mesmo a melhor forma de descrever tudo aquilo e não com um texto dos meus, porque não há muito a dizer. Foi perfeito. E eu sou suspeita que adoro o Olga e o João. Mas foi mesmo. Foi ele. O público. A banda. Os convidados. Nós as duas. (até o senhor que estava sozinho ao meu lado a curtir à grande e os putos insuportáveis atrás de nós que até pela Mafalda chamaram :) ). E o que estas noites são e o que fazem cá dentro, é indescritível. Topar-lhe as reacções e ver como se transforma ao pegar na guitarra (e quando quem sabe comenta o mesmo connosco.) as nossas brincadeiras mais tontas que dão sempre um toque especial a cada momento. As conversas com a Maria que adorei!, tão querida e amorosa (‘andava mesmo à tua procura!!’, ‘ele nunca esquece…’, ‘oh, se há pessoa que merece…’). Conhecer o Diogo :), super simpático. Conhecer a Paula e a família. Sentir-me tão parte. Tão bem. Com vocês. Os abraços e aqueles sorrisos, que valem tudo. E o que já está prometido… :)

- ‘mas eu vou amanha.’
- ‘mas amanha é muito tarde!!’

E se ela soubesse o quanto mais durou a noite! Foi perfeito! Amei!!! E se lerem isto, vão concordar que só fica completo com um ‘HÁ QUANTO TEMPOOOOOOOOOO!!’

Obrigado!

Ps- ‘ela é uma querida’ ♥

domingo, 28 de novembro de 2010

ponto de situação, só...

24 de Novembro de 2008 – Apresentação à imprensa da ‘Palma e a mão’, Casino de Lisboa

14 de Novembro de 2009 – Coliseu dos Recreios

26 de Novembro de 2010 – Apresentaçao do álbum ‘O Coliseu’, Olga Cadaval

27 de Novembro de 2010 – FNAC Colombo

Não sei bem porquê mas, parece-me que simpatizo muito com Novembro, haha. É incrível os momentos que se guardam, de alma repleta e coração cheio. A serio. Agora fazia um texto gigante a falar de cada um! Mas va. Não. Chega-me os sorrisos, a cumplicidade e cada abraço. Chega-me a recordação de conversas que me deixem com um sorriso nos lábios ou a rir completamente às gargalhadas! Gostamos. Gostamos muito de Novembro, contigo.

‘COMO É QUE VISTE??’
‘vi!!!’
(e com esta ganhas-te...)♥

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ainda hoje a mãe falou de nós. De como éramos tão chegadas. Do respeito que eu tinha por ti. E ela tem uma noção mas, não tem ideia do quão enormes eram: o respeito e a admiração. Falou de como eu guardava os teus segredos. Mas, ao contrário do que ela pensa não eram os meus bons valores a dar de si, desde criança. Era sim o não haver, para mim, nada mais precioso do que termos algo só nosso para guardar. As conversas madrugadas dentro. As fotos proibidas, sempre com a devida explicação. As tardes deitadas só pelo prazer de não termos que levantar. As danças intermináveis com as musicas mais sugestivas (e pimbas) que nos aparecessem, onde quer que fosse. As horas na cozinha e as combinações mais aterradoras, embora costumassem resultar. Os constantes segredinhos e gargalhadas secretas, que tanto irritavam. Quando me dizias que a minha opinião era decisiva e eu tremia. (quando te vi chorar e me perdi, sem saberes). Hoje nada é igual e vivo bem com isso. Mas. Hoje. Só hoje, que penso, chega a doer. O amor é o mesmo. Eu sinto. Eu vejo. Basta estarmos juntas. Crescer é mesmo uma merda. (e no meio de tanta merda, o que me faz mais medo, é de longe a possibilidade de vos perder.)

Eu sei que digo coisas que não devo.
Sei bem.
Mas não sou a única,
oh!
:)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O pior sentimento do mundo é a desilusão. Quando nos deixam do avesso e nos tiram o chão, só e apenas para dificultar a tarefa de voltarmos a ver o mundo às direitas e provocar a luta do encontro de um chão novamente seguro, enquanto as suas vidas seguem com a naturalidade de nada ter acontecido. Sempre fui muito boa no que diz respeito às cambalhotas da vida. Fui aprendendo a saltitar por rumos incertos até finalmente sentir a segurança de um chão firme e coeso, seguro. Habituei-me a seguir a minha vida junto com a dos outros, num nada de não ter simplesmente acontecido. Mas apercebi-me que não é assim. não dá. Eu já não consigo ser assim. a ordem não pode ser ‘para trás das costas, esquece-se’, mas sim ‘enfrenta-se e perdoa se’. Eu já não consigo que seja de outra maneira. É demais. Na minha vida, agora, é mesmo tudo demais. E chamem-me cabra, fria, insensível, eu tenho plena noção que as minhas capacidades de esquecer e perdoar estão em baixo. Mas querem o quê? Passar por isto tudo? Não têm a mínima noção! E ao julgarem não conseguem ser nada melhores, é um bocado baixo até. Eu também tenho saudades. Eu também sinto falta e também me custa. Se calhar custa-me mais a mim, no meio de tudo que fizeram. E apetece-me muito dar o braço a torcer, mas depois voltamos ao mesmo, é demais. O melhor das pessoas fica comigo. É o que se guarda. O que faz sorrir sempre. Mas a confiança foi-se, está-se a ir. A verdade é que quando acontece, é fácil repetir. (ainda estou à espera que tudo fique bem…).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Às vezes olho para a minha vida e concluo, sem a mínima duvida, que reúno todas as condições para me fechar no quarto com o comando por perto, rodeada de chocolates e uns quantos bons livros, e entrar então numa depressão profunda. Mas depois deparo-me com um grave problema: não tenho o mínimo feitio para isso :) (faço exactamente o oposto e tenho mesmo momentos tão felizes *)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

pedrinha preciosa.

ana
nós nascemos para sonhar
eu e tu…
e temos com que pelo menos fazer com que não nos tirem essa capacidade…
porque é mesmo o melhor que temos.
(…)
o problema é que são mesmo os meus sonhos que me deixam de rastos
não são os teus sonhos ana…
é a vida

obrigado. sempre. para sempre. para o resto da vida, cúmplice. é difícil acreditar, cada vez mais difícil. mas assim, contigo, dito por ti, o sentido é maior, mil vezes. tem tudo mil vezes mais sentido. sempre.♥

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Quem sabe, sabe também que nunca espero nada. Nunca tenho expectativas e riu sempre, e nego sempre, porque acho sempre que é demais, que já foi feito muito (e foi!!). mas não falha, nunca! E quando não quero acreditar e me faço despercebida, fazem questão de me lembrar sempre de onde partiu. Mas eu sei, sei bem. Porque já vi a preocupação mesmo de perto. É inacreditável. É tanto. É único sentir que sou de alguma forma especial, para quem é muito!! (com vários sentidos). Sentir que é mútuo, por mais que eu saiba, porque sempre foi. Agora, só te quero dar um abraço. Nosso. Porque palavras, não há. Acho que nunca existiu nenhuma à altura. Nenhum ‘obrigado’. E já te disse tantos e com tanto significado. É das melhores coisas do mundo, ter gente assim, nossa, porque sim. É mesmo. (e eu fico sempre parva e com o coração maior que tudo, sempre.)

acho que não tenho bem noção. gosto tanto de ti.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Ontem andei tão tão contente e de repente, já a caminho da cama, fiquei tão triste. E preciso de escrever, sobre o bom e o mau. Preciso mesmo. Mas antes preciso de me entender. Preciso de me arrumar também. Mas o meu forte também nunca foram as arrumações e continuo com imensa coisa espalhada pelo chão. Coisas que nem penso onde arrumar porque não tenho sequer coragem de as apanhar e ter de pegar nelas. Ainda não. Um dia. Por enquanto, é mais fácil ignora-las assim, espalhadas e largadas pelo chão, mesmo sabendo que é inevitável tropeçar nelas e isso deixar-me assim, triste.

Preciso de falar com alguém. Preciso de o conseguir fazer. Ya. Pois…

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

♥ 7

Tinha preparado um texto. Tenho cada tópico e frase na cabeça. Sei perfeitamente o que queria ou não dizer. Mas sou incapaz de o escrever. Não quero que ninguém me conheça ao ponto de saber os meus medos. O que me faz tremer. Chorar. O que me deixa em pânico. As incertezas que me assombram a cabeça e os dias, todos. Mas tenho que dizer que me fazes falta. Não que me continuas a fazer falta mas, que me fazes cada vez mais falta, de dia para dia. Que ainda não aprendi a viver sem ti e que nunca vou aprender, mesmo que não viva mal. Que tenho pena de só agora te conhecer assim e de não te ter admirado quando te tinha cá como te admiro agora (e há tanta coisa que só soube e só percebo agora). Tenho pena que só tenhas conhecido a Ana menina e não o que sou hoje, tão diferente. Que nunca tenhas conhecido tanta gente que faz parte da minha vida, agora, e sem as quais eu já não passaria. Que faz a minha vida e tudo o que sou. Que me fizeram mudar também. Tenho pena de não te ter tido cá em tantos passos que dei, mas tenho a calma de conseguir ver, com certeza, a tua reacção em cada um deles. Lembro-me de me falares de jantares de natal com o Jorge e com o João e de me ser indiferente, agora trepava paredes (e lembro-me que gostavas do João, eu não. Irónico ele agora ser essencial). Tenho saudades. Morro de saudades. Saudades de tudo o que ficou por viver, contigo. O que vivi, ninguém me tira. E acho que sou tão calma em relação a isto porque ainda acredito piamente no que a menina de 14 anos disse à mãe naquele dia: enquanto as lembranças forem tão boas e tão fortes, tu vais estar sempre aqui. E estás. Sempre.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ontem, no meio das rotundas, das conversas descabidas, das suposições surreais, dos refilanços, dos berros, das zangas e dos risos… ontem o que eu queria mesmo dizer é que tenho mesmo muito orgulho, nisto, que somos nós. E é tanto. Somos tanto. Tanto.

sábado, 16 de outubro de 2010

Como pode uma coisa que outrora deu vida e tanto sentido, ser no avesso algo que destrói e corrói, por dentro? Pedaços. Sinto-me a quebrar. E não posso. Não foi o que prometi, nem é o suposto.

(e não param. Vocês não param nem saiem daqui. E parece que adivinham quando preciso. E sabe bem quando são outras pessoas. Sabe bem descobrir que há, afinal, mais gente por aqui. Mesmo quando nos mostram que a desilusão, essa continua yey!)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

merda.

23:44
oh amor estamos todos assim…
não podes é deixar de tratar de ti
23:46
eu percebo-te
normalmente o timing destas coisas é sempre errado
23:47
mas o basílio entende-nos :)
23:48
e eu tb acho melhor ficares em casa
vires sozinha por aí fora não é boa ideia

É incrível como quando precisamos a força vem de onde menos esperamos. Estou de rastos. Sinto-me uma merda. E só consigo lembrar-me de ti a rir pela faculdade. E vou lembrar-te sempre, assim.

A vida é uma grande merda e a única maneira de nos vingarmos é viver, gozar e aproveita-la ao máximo!

sábado, 9 de outubro de 2010

Não estou feliz. Não estou, é um facto. Mas tenho tido momentos felizes e mesmo especiais, e isso faz-me bem. Faz-me sentir tão bem. Há alturas em que sinto que não valho nada. E quando digo nada, é nada! Mas depois olho para os lados. Para quem está por aqui, comigo, e vejo que é impossível as coisas serem como eu as vejo, porque se assim fosse, eles não -estariam cá. Eles não se dariam ao trabalho de cá estar, a verdade é essa! Levo uma vida tão normal que às vezes nem me dou conta de que não deve ser fácil andar por aqui e ainda mais, por todo lado. Mas eles não. Eles chegam, ficam e andamos mesmo, por aqui ou por todo o lado. E eu sei que nem sempre é fácil, mesmo. Às vezes, principalmente no inicio, também deve meter medo. Mete mesmo, eu sei!, porque eu também o sinto, sempre. Mas eles não fogem, ficam. Ficamos. Descobrimos, e o medo acaba por ir. Desaparecer. Dar lugar à confiança. E haverá melhor do que isso? O não haver restrições, ou quando as há, sou eu que as meto, e ainda me chamam parva por isso. Com os verdadeiros, é assim. Toda a gente tem aqueles momentos, em que se deprime, porque quem é importante, especial, não exprime nada que mostre que os sentimentos sejam recíprocos, com palavras. Eu tenho tantos momentos assim!! Mas estou a aprender que as maiores provas que podem dar são as atitudes. Os mais pequenos gestos (aqueles que quem faz, nem dá por eles). É a confiança, é senti-la. E tenho tido tanto de tudo isto. Logo agora, que preciso tanto!, não me tenho podido queixar. Não mesmo. E é único. Ainda há uns tempos, tinha a certeza que ia ser desiludida. E se há coisa que eu sou é cautelosa com o que se pode vir a passar cá dentro. E arranja-se mil justificações para não magoar tanto. E no fim não só não me desiludiram, como me deram, tanto! E não há nada melhor que dar e receber. Não há nada melhor que a companhia. A confiança. O precisar mesmo! As gargalhadas. As lágrimas. Os segredos. As coisas que pensamos e nem dizemos, por não achar bem, mas que depois se descobre em sussurro ter sido algo mútuo. As mensagens que lembram tantas vezes que nada foi esquecido. Os sonhos. As paixões. Não há nada melhor quando tudo isto é recíproco, mútuo e se partilha. Tudo o que é tanto. Tanto que se vive. E podem-me tirar muita coisa. Isto que me faz e que sou eu, não. Nunca. E eu orgulho-me tanto disso. Ainda mais de vocês. E agradeço-vos por tudo. É mesmo muito.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

‘porra, tens uma coragem que mais ninguém tem e que nunca percebi onde a vais arranjar, vais desistir agora?? É que não me vais desistir agora!’

Disse-me ela! Ela que é ela. Das maiores profissionais e das maiores pessoas. Deu-me um sermão que me pôs a tremer e de lágrimas nos olhos. Já estava à espera de um discurso sobre o assunto. Não estava à espera da opinião tão vincada e de tanta força. Que me dissesse que acredita em mim e que mo explicasse, como nunca ninguém o tinha feito. Que me mandasse lutar, com tantos argumentos e que no fim me dissesse que luta comigo, longe longe, como eu sempre achei. E no fim, aquele abraço que consolidou tudo. É que mudou tudo cá dentro. Foi ao avesso. E veio a força que já não existia, nem tão pouco me lembrava de sentir. ‘obrigado por ser a melhor do mundo!!’ ‘a melhor vais ser tu!!’ ♥

E depois lembrei-me deles, particularmente delas as duas e percebi que a força é a mesma. É diferente ouvir porque são muito cá dentro e eu sei que sou muito também, mas a força é a mesma! E isto é o melhor que posso ter agora! É o melhor que posso ter na vida. E é sem dúvida o que interessa. O mais importante!

(ainda bem que não era a única a estar e que não sou a única a achar, se não, neste momento já duvidava de mim e de tudo. Não posso agir contra o que sinto e me fazem sentir, mesmo que me custe. E se errei ou errar, também tenho esse direito. Tenho é muito medo do que anda para aí e não acho justo…!)

domingo, 26 de setembro de 2010

Percebi. Finalmente percebi. E gostei que mo tivesses feito perceber, apesar da hesitação que eu entendo. Gosto muito disto. Que haja confiança onde não tem de haver, mas onde há, porque sim, porque é assim. Gosto de a sentir e de a viver, muito. E gosto ainda mais que seja mútuo! Para mim o melhor sentimento do mundo é a cumplicidade, porque é o único que não se impõe. Nem se aprende. Existe por si só. Ou há, ou não há. Sem voltas a dar. E é uma verdade que se sente quando estamos olhos nos olhos, quando dizemos o que supostamente não se diz, mas que soltamos, porque ali deixa de haver questões que nos coloquem reservas. E são aqueles olhares que dizem mais do que a melhor das palavras. Os risos que vêm de dentro. O que já se sabe porque sim. As coincidências surreais que vão sempre surgindo. E é tudo. Tudo o que se vive, cá muito dentro. E eu ando numa fase parva em que ando a viver muito cada coisa. As parvoíces. Os ataques de riso. Os olhares, que são sempre muito mais que isso. As mãos dadas. Os abraços. As bocas. Os colos. As saudades. As minhas pessoas. A vive-las e a faze-las muito minhas. E ando numa fase em que me apetece dizer a toda a hora o quão são importantes. Apetece abraçar e não largar. Ando assim. Ando parva.

domingo, 19 de setembro de 2010

Sete anos! S-E-T-E anos (ok, estou velha!)!!! eu tremia por todos os lados, porque tu estavas a ler aquilo! Sempre detestei que lessem o que escrevo à minha frente, quanto mais tu! Mas olhaste para mim, com aquele brilho nos olhos que tanto te caracterizava e sussurras-te ‘vou lê-lo agora aqui, contigo’. Ok, ia morrendo. Sempre mais um bocadinho porque não tiravas os olhos de lá e não percebia o que te passava pela cabeça. Quando acabaste e olhaste para mim, tinhas os olhos ‘húmidos’. Os meus ficaram iguais. E tiveste a lata!, de me perguntar ‘estou todo suado mas… posso-te dar um abraço?’ é que nem te respondi! E foi dos momentos mais bonitos, até hoje! E hoje, quase posso jurar que nem te lembras da minha existência. Mas eu não me esqueço e morro de saudades. E dava tudo para mais um abraço, para te perguntar mil coisas e contar outras mil. Às vezes, chego mesmo a pensar que continuas a ser a pessoa que mais admiro na vida o que não sei se é muito justo. E aí, levas-me a outra conclusão: as pessoas que entraram na minha vida porque eu fui até elas, porque eu ‘as escolhi’, são mesmo as melhores e as maiores. Fazem de mim tão melhor e maior. E eu tenho tanto orgulho nisso. Tenho mesmo.

Ps- btw, aquilo que leste agora faz-me rir, sempre tanto. Afinal de contas, eu tinha 14 anos e é mesmo giro ver como se vivia as coisas. Daí marcarem tanto, provavelmente.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A minha cabeça devia ter um botão de stop. Isto hoje não pára! e só com coisas que nem é suposto andarem por aqui (e que baralham tudo, o que ajuda sempre…).

Ah, uma reciclagem, também dava jeito. Isto digo eu…

Ps.- quanto a ti, não sei se é o certo (tenho medo que não seja). Mas é o máximo que consigo, agora.

(e depois não devia andar a fugir, como ando. Ela não merece, por tanto que sempre foi. Tenho que agarrar, sentar e deixar sair tudo. E se calhar, chorar tudo o que trago cá dentro, aí. Até porque, tenho saudades!)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vocês não são burros. São boas pessoas, verdadeiramente. Boas pessoas demais. E nem toda a gente é assim, mesmo quando se é muito próximo. E é uma merda. Mas é assim que se aprende. Eu tenho o maior orgulho em vocês. Em serem a minha vida.

(eu aguento mesmo muita coisa. E até ignoro e esqueço, esqueço mesmo ao ponto de perdoar e por tudo para trás das costas como se nunca tivesse acontecido. Mas nisto, sinto-me directamente envolvida e sinto que foi intencionalmente para magoar, magoa-la a ela. Portanto, temos pena mas acho que as coisas nunca mais vão ser as mesmas. Porque se antes era eu que fazia com que as coisas voltassem ao normal, desta vez acho que não vou deixar que tal aconteça, porque não consigo. Detesto que as pessoas sejam capazes de descer assim tão baixo, só e apenas pelo prazer de serem más. Sem terem a mínima consciência ou preocupação pelo que fazem. E é melhor nem começar a falar em inveja…)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

‘mas tu és mais forte que qualquer um!’

‘mas tu só dás passos gigantes! E não digas isso…’

‘mas tu não desistes nunca, segues sempre em frente por pior que seja tudo. Tenho tanto orgulho em ti!’

‘tu cumpres tudo o que prometes. Demore o tempo que for, tu cumpres! Isso já não existe, é lindo! Tu és linda!’

‘tu és a excepção, é que não duvides! Aqui, a única excepção és tu!!’

Porra!!! Só conversas difíceis! Uma atrás da outra e eu sou completamente atropelada por elas, literalmente! Assustam-me quando me dizem isto. Assusta-me que sintam isto, assim. Porque eu não sou nada disto. É bom ouvir, claro. Mas não agora. Agora não consigo acreditar em nada disto. Mesmo se dito por vocês, que são tanto e tanto. Se calhar por isso mesmo. Porque é fácil ser forte com vocês, que me fazem tão bem! Que me põem tão bem e me dão momentos tão bons e até felizes. Tantas vezes só por estarem ali. Porque ainda se torna bem mais fácil ser forte, quando são vocês que precisam de ajuda, mesmo quando não dizem nada! Ou quando pedem mesmo, olhos nos olhos, o que é tão importante. Aí é que não há lugar para medos nem fraquezas. Aí importam vocês, o que sentem e o que precisam de mim. Importas tu. E tudo o que quero para ti. E que percebas a força que tens. Que acredites naquilo que para mim já não tem sentido mas, que tem que ter para ti, porque tens que ficar bem. Eu quero-te bem. Mas vocês não sabem o que eu sinto. Não sentem o que eu sinto. Nem sabem o que eu sei. É horrível, é mesmo. Só que eu estou bem. No fundo, não sei como, mas estou. E isto tudo, cá dentro, pode esperar. Porque não há para onde correr. (e o pior de tudo, é isso mesmo.)

(e pensar que há quem não entenda metade disto. Faça o oposto. E que eu não sei lidar com isso.)

Ps. E digo sim, porque agora, com isto tudo, é o que sinto.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

#...

#1 Não quero mais errar nisto! Não nisto! É que é sempre o mesmo erro, e sufoca-me. Percebo que há alturas em que tenha que deixar sair, e nestas tinha! Porque o que não magoa, mói!(eu tento que não magoe, já devia ser superior! Mas se calhar… não.) e pode correr mal, e se assim for, a culpa é minha, que errei. Mas no fundo, a culpa é toda tua!!! E isso mete-me uma raiva!! (e eu não sei o que fazer com ela… mesmo.)

#2 Tenho saudades. Tenho mesmo muitas e todos os dias me lembro deles e de como, no fim, voltaram para trás, para me dar aquele abraço. Tenho saudades de me sentir mesmo uma princesa, como eles diziam. Não que me mimassem mas, pela maneira como me tratavam. As piadas. O carinho. Os sorrisos. Abraços. Tudo o que não se questionava, sentia-se. Sentia-se tudo. (a minha mania de me apegar às pessoas, às vezes, também me irrita.)

#3 ‘quando quiseres ir para lá, diz-me! Sei de um sitio óptimo onde podes ficar’ epá, não me digam isso!! É o meu sonho… e já estive bem mais longe da loucura. Bem mais.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ontem descobri um dos segredos dele, que o faz tão diferente e especial. Nunca tinha percebido, até ontem. Mas ele molda-nos o coração. Não percebo como, mas acho que é isso. Molda mesmo. Fá-lo maior e parecer melhor. Como se tudo o que o assombra fosse cobarde demais perante tudo o que ele é e só sobrasse, cá dentro, o que faz bem e é importante. E eu gosto, de me sentir lá e de como me sinto lá. Aquele olhar cúmplice dá-me vida. Aquele sorriso ontem foi mesmo giro, do género ‘agora é que te apanhei!’. O abraço. As novidades, que ainda nem se sabe, mas que me conta com aquele olhar ‘se sim, conto contigo. Já sei’. O ‘eu aviso-te!’ que me faz sentir parte, o que é tão bom. :) Os abraços, mundos inteiros. Tudo o que me faz tanto. É tanto de mim. E eu acho que ninguém percebe. ‘tens um brilho tao bonito nos olhos, ninhas. Adoro ver-te assim.’ soube bem ouvir isto :) e sentir que o brilho maior guardo no coração e que esse me faz ser sempre mais pessoa (e sentir que ainda o consigo ser, apesar de tudo.)
adoro viver tudo isto, mas também adoro partilha-lo, com gente minha. O entusiasmo, os sorrisos. Tudo o que se partilha, multiplica-se. Faz parte da magia. Adorei tê-las lá. Adoro ter-te lá. Que saibas cada pormenor comigo, como mais ninguém sabe (os do espectáculo e os que guardamos em segredo). Adoro poder dar-te a mão quando sei que só tu entendes. E ontem foi muito. Ontem cada abraço foi mil vezes, muito.

Ps- epá, odeio histerismos. Irritam-me! Mas vá, isso já sou eu e o meu feitio…

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A vida é uma grande merda recheada de pequenas pedras preciosas que vamos encontrando (e temos que saber reconhecer) pelo caminho.

Foi a conclusão possível das 3 da manha de ontem, depois de tanta emoção.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

‘se pudesses apanhavas outro avião e ias-te já embora, não era? Tu não estás bem aqui!’

Às vezes acho que me enganei e que estou no psiquiatra em vez da fisioterapia.
Ainda à uns tempos disse que a única coisa que me prende cá, são os concertos da minha Mafalda e do meu João. Tudo se riu, e eu estava a brincar… mas cada vez isto se aproxima mais da verdade. Estar aqui sufoca-me! E eu estou farta de tanta coisa… demasiadas coisas! Estou farta das pessoas, que não percebem e caiem sempre nos mesmos erros por mais frontal e dura que tente ser! Cresçam! Inventem novos erros se fazem assim tanta questão de me continuar a desiludir, a serio!

Israel foi muito! Foi muito mais do que poderia imaginar. É lindíssimo. E para quem acredita e sente, é indescritível! Eu descobri-me lá. Aprendi tanto sobre mim. Aprendi que sou bem mais do que seria talvez suposto. Bem mais do que qualquer pessoa possa acreditar que eu seja ou venha a ser. E tenho que dar valor a isso, porque isso tem valor. Tenho que me respeitar, mil vezes mais do que fiz até agora…
Estar longe, é estar bem! Sem pesos nem amarras. É ser outra pessoa, sem querer ser minimamente diferente. Enquanto que aqui, dava tudo para ser diferente. Para ter outra vida...

Ps- já voltei a adormecer a chorar. Sabia que era uma questão de tempo a partir do momento em que voltasse…

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Faço as malas. É dia de viagem. São quilómetros de estrada de alcatrão, sempre em frente, uma viagem longa que quase sempre parece interminável, e um caminho por dentro que tem atalhos e labirintos meus onde preciso e quero perder-me até me saber desmontar em todas as peças que me fazem quem sou, que, juntas, inteiras, partidas, desfeitas (sei lá em que estado estão) me deixam construída no que sou eu. (…) Já fui muito feliz e muito infeliz nesta viagem. Já fui mais e já fui menos, infinitamente. Mas é assim a vida, afinal, como esta viagem que se repete. O que se ganha e o que se perde pode ser tão sublime ou tão aterradoramente definitivo e, no entanto, tudo faz parte do caminho. A viagem é a mesma, sempre. (…) Não é fácil descontaminarmo-nos do ruído dos dias e das noites perdidas, atormentadoras e violentas, das palavras vãs, levianas e demasiado fáceis que nos são ditas como quem não soubesse que as palavras podem matar, dos gestos que fazem feridas onde não se vê, com as mesmas mãos que servem para as curar, e do cansaço infinito que a vida nos crava dentro e fundo depois de mais uma e outra e outra luta em que quase nunca há vencedores nem vencidos. (…) Não importa perdermo-nos, faz parte. Há-de acontecer tantas vezes mais quanto mais quisermos fazer o nosso caminho.

Mafalda. Só podia ser Mafalda. E sendo Mafalda, sou tão eu, também. Desde sempre que é assim, mas eu ainda fico estupefacta. As palavras dela têm a capacidade de entrar, cá mesmo dentro, e de me perceber de uma forma tão simples, que me fazem descobrir tanto, de mim. De recantos que trago cá dentro, só comigo. Porque ela fala do que é difícil falar, do que normalmente não se diz, do que se sente e se traz. E as coisas ditas tornam-se tão mais simples. Os labirintos tornam-se caminhos a desvendar e os medos companheiros de viagem com quem passamos a andar de mãos dadas, porque ela faz com que os medos deixem de ser só nossos. Com que sintamos que os partilhamos de alguma forma. E de repente, os caminhos ganham um sentido que desconhecíamos e nós uma força leve e apaziguadora, que parece fazer parte, desde sempre. E são as palavras que mudam tudo, porque palavras certas são mágicas. A Mafalda faz magia com palavras. Dá magia aos momentos e aos dias, que são muito de mim. Que me fazem. E é muito bom ter isto. Saber sentir e entender, cá muito dentro, é único.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ninguém nasce perfeito, é verdade. Boas pessoas, só, não existem. Toda a gente tem um lado menos bom, que não tem que fazer delas más pessoas (isto é, nem sempre. Porque às vezes faz mesmo). Acho que as pessoas pensam muito agora, em tudo. E não sei se isso é bom. Torna-as menos genuínas (às vezes soa mesmo a falso, a vazio. É feio.). E eu gosto mesmo de pessoas genuínas :) mas gostava de pensar mais. Devia pensar mil vezes mais! Na verdade, sou a pessoa mais trapalhona que conheço! Atrapalho-me sempre. Meto sempre os pés pelas mãos quando se sentam comigo para ter uma conversa. Porque vivo numa bolha invisível e imperceptível onde pouca gente entra (onde cada vez menos gente entra porque, não é fácil lidar com os estragos que vão deixando…) e para afastar as pessoas da ‘zona de perigo e alta fragilidade’ falo, falo, falo (podem perguntar que até me dão por uma pessoa muito aberta, tretas!) mas sobre coisas suficientemente distantes, o que chegue. E nisto, às vezes troco medidas, e sai-me o que não era suposto. Odeio isso. Porque depois massacro-me e não me consigo decidir entre o ‘não tem mal nenhum!’ e o ‘não devias ter dito, ponto final!’. É certo que a última resolveria todos os problemas, mas às vezes escorrego. Sou estúpida, pronto! E sou ainda mais estúpida por respeitar pessoas, valores… por respeitar o que sinto. Às vezes acho que devia ser uma verdadeira cabra em determinadas situações, porque assim teria mais respeito por mim e isso sim é (deveria ser…) o certo!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ontem quase me desfiz, literalmente. mas mudei de assunto e respirei fundo. muito fundo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Podia escrever, muito, sobre mil coisas que me atormentam os dias e a cabeça. Sobre como a vida é uma merda e sobre como estou farta da minha. Sobre como estou farta de todas as pessoas que me rodeiam. Todas. Porque não me respeitam. Julgam que sim. Fazem que sim. Mas não. Porque me julgam mecanizada. Capaz de ser e passar por cima de tudo, quando a mim me parece obviamente impossível. Porque por me verem bem, não medem o que dizem e não me respeitam! Porque estão à espera que eu vista o papel de coitadinha para aí se preocuparem e só mostram que não me conhecem minimamente, porque isso não vai acontecer. Porque esse papel não está, nem nunca vai estar à minha medida (porque eu sou bem melhor que isso!). Porque me fazem perguntas e exigem respostas que eu não tenho. Nem vou ter tão cedo! Porque não penso. Não quero. Não estou para isso. Nem tenho paciência alguma para pensar. Dêem-me espaço. Dêem-me espaço para não querer saber do que quer que seja. Mas dar-me espaço não significa não querer saber e virar costas! E não me venham dizer que se não estão é porque eu não deixo e que mesmo longe estão comigo porque isso são tretas! Ou se importam, ou não se importam. Ou estão, ou não estão. A altura não me deixa espaço para meias medidas. Não preciso de palavras bonitas e gastas. Preciso de abraços. Gestos e atitudes. E onde é que eles estão? Pois!! E o pior, é que essa é das tais coisas sob a qual eu não sei se sou capaz de passar agora!

O António.


Era o fim óbvio, era, mas era o fim pelo qual ninguém esperava e acreditava. Comigo vão ficar algumas frases que ele foi deixando aqui e ali, principalmente nestes últimos tempos, que tanto me marcaram. Fica a lembrança de ele me fazer rir desde sempre e a certeza de que me vai sempre fazer sorrir.
O ‘bicho’ ganhou a batalha mais importante, mas o António esteve sempre à frente na guerra, pela coragem enorme e pelo ser humano extraordinário que demonstrou sempre ser.
Até sempre, António Feio.

sábado, 24 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Se começar a apagar pessoas do facebook, será que elas desaparecem de uma vez por todas da minha vida? E será que me consigo esquecer que algum dia as conheci? Dava-me tanto jeito!

Quem me devia fazer bem, só me faz mal. Tanto. E eu preciso de chorar. Como nunca. E não consigo. Sou mesmo uma merda.

sábado, 10 de julho de 2010

'onde o que rebenta não se ouve nem se vê, só nos mata implacavelmente um bocadinho' –Mafalda

Há alturas em que já nem eu sei de onde vem esta força. E outras em que já não acredito que seja ‘força’. Quanto muito estou em piloto-automático. Ou então, já só pode ser pura loucura.

sábado, 3 de julho de 2010

blog meu...

- Blog meu, blog meu: haverá vida mais ridícula que a minha?

- Não!! A tua é o cúmulo!

- Pois, era essa a minha ideia. Obrigado :)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Era alguém que arranjasse uma borracha que me apagasse por dentro.

M. - ‘Se desistes eu juro que pego em ti e levo-te ao programa da Fátima!’
Eu riu-me.
R. – ‘Hey, esse não! Há outros… porque nós estamos cá, contigo, há três anos. E vamos continuar’

Ouvir isto, agora, é qualquer coisa que não sei explicar. Dá-me um alento. Arrepia-me. Até me envergonha. Envergonha-me porque estou mesmo cansada. E são mais as vezes que me apetece esquecer tudo, do que aquelas em que penso em arregaçar mangas. Estou cansada. Às vezes sinto-me oca por dentro. Estou farta de estar triste. Estou farta de me sentir uma bomba relógio, pronta a explodir aí, em qualquer canto, e a ter um ataque de choro, de raiva… incontrolável. Estou cansada de ouvir que sou ‘uma mulherzona’ e que tenho uma ‘força que ninguém percebe’ quando isso não me serve de nada. Quando todo o meu esforço não me leva a lado nenhum. Quando dou tudo o que sou, aos outros, e ninguém valoriza porque a seguir só me magoam forte e feio. E eu não acho justo. Não acho que mereça. Não sou nenhuma personagem de banda-desenhada. Eu sinto as coisas. E há coisas que não entendo e que não deixam de me magoar, por mais racional que tente ser.

Quanto à luta, ufff, estamos cá para ela não é? Quanto mais não seja por quem me tem dito que acredita em mim (o que, sinceramente, me assusta. Mas que me enche cá dentro.), juro que vou até ao fim.

Estou farta que seja tudo tão mau.

Era alguém que arranjasse uma borracha que me apagasse por dentro.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

out

ter coração está completamente ‘out’. vou deitar o meu fora.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

por isto tudo...

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 16 de maio de 2010

resultado positivo.

A vida é uma grande cabra. Tira-nos tudo o que pode. Chupa-nos até ao tutano até ficarmos vazios. Até nos tornarmos grandes pedaços de nada. E como sobreviver a isto? Ando a aprender que o truque é viver. Viver e viver. Viver cada momento com maior intensidade que o anterior. Como se a seguir não houvesse mais nada. O truque é sermos sempre maiores do que ela nos deixa ser. Maiores do que aquilo que ela nos faz acreditar que somos. Porque se quisermos e acreditarmos, conseguimos mesmo ser maiores, e melhores. Porque se a vida nos pode tirar o chão, as pessoas, os sonhos, o que julgamos ‘certo’, não nos pode tirar o que vivemos, o que cada pessoa nos dá, o que aprendemos… tudo o que guardamos. Tudo o que somos. Todo o nosso brilho.
No fundo, não passa tudo de uma grande equação. O truque é sermos sempre mais do que aquilo que temos, para caso haja um dia em que a vida nos tire tudo, não nos transformemos num resultado negativo. O truque é só saber ser (e há muita gente que não o sabe).

A vida é uma grande cabra e eu não quero ser nunca um resultado negativo.

sábado, 8 de maio de 2010

‘E pudesse eu pagar de outra forma’

Estou tao farta de tanto aperto. Sufoco.

terça-feira, 20 de abril de 2010

‘ou se sabe cuidar ou não se sabe. E tu sabes!’

Disseram-me isto à uns dias e hoje dei por mim a pensar. Até que ponto será isto, ainda, uma qualidade? Preocupo-me muito, é verdade. Mas são tantas as vezes em que dou por mim a perguntar se vale a pena. As pessoas nem se apercebem. Ou pior: se percebem, não dão o mínimo valor. Acho que chegam achar as atitudes meras obrigações. Temos obrigação de nos preocupar e entender problemas que nem nossos são. De arranjar soluções para problemas comuns, mas que nos cabe a nós resolver, nunca chego a perceber bem porquê. Temos obrigação de manter sentimentos ou ligações dos quais nem se lembram de cuidar. E muitas vezes nós fazemos e até sentimos tudo isto como obrigação. Mas uma coisa é ser sentido, outra é ser-nos imposto, porque sim. Acho que às vezes até a nós nos dão como certos, sem a mínima preocupação ou cuidado. E irrita-me quando, no que me diz respeito, chego à conclusão que me rendo a isto tudo. E apetece-me passar a viver só para mim e para o meu umbigo!

Mas depois tenho medo que apareça alguém que precise mesmo e que eu não saiba reparar…

prontoésvicidaempessoasentãoaguenta-te.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cumplicidade, acho

adorei esta surpresa :) adorei este dia. adorei não saber mesmo onde estava a ir nem para quê, chegar e ver da rua os famosos fzz fzz acesos lá dentro, em tantas mãos de amigos que se juntaram para me oferecer o disco que mais prazer me deu receber até hoje. - Mafalda

Perguntam-me como foi e eu fico estagnada, com a cabeça a mil, conseguindo articular apenas um mísero ‘foi muito bom!’. Perguntam-me como foi e eu lembro-me da ansiedade que faz borboletas. Costumam dizer que as borboletas da ansiedade nascem na barriga, mas naquela noite sentiam-se a saltitar de um em um, como se ninguém as quisesse agarrar. Como se uma ansiedade só, quisesse chegar a todos. Lembro-me do stress dos fzz fzz, e assim de repente, acho que nem éramos nós se esse stress não fizesse parte :). Lembro-me ‘da’ entrada. Da emoção a transbordar no olhar e a estender-se depois para um sorriso, cheio de tudo. Eu fiquei cheia de tudo. Lembro-me da genuinidade das palavras incrédulas. Lembro-me das conversas, muitas!, das quais ficaram sobretudo risos e sorrisos. Lembro-me de olhares incrédulos e comprometedores, que só faziam rir. Lembro-me dos discursos. De cada palavra que ali foi dita. Todas com tanto sentido. Um sentido avassalador para quem o sabe sentir. E fizeram-se nossas, as palavras. Eu pelo menos fi-las minhas. Todas, uma a uma, cá dentro. Lembro-me de olhares, gestos e sorrisos, de uma cumplicidade que não cabe, mas que me faz, ao fazer tão parte. Lembro-me de conversas e abraços. De sussurros. Lembro-me de sermos tantos e tão diferentes, mas ali, sermos tão iguais. Lembro-me de sentir uma sorte enorme por, apesar das diferenças, ter ali pessoas tão minhas, de quem gosto tanto. E sei que sou uma privilegiada: por saber o que isto é. Por poder fazer parte. Por ter alguém tão enorme a fazer parte, de mim e do que sou. Lembro-me disto tudo e adorava arranjar uma frase que o descrevesse. Adorava arranjar palavras à altura, mas não consigo. Nem estas são. Só vivendo. Só sentindo. Acho que isto é cumplicidade, e é único :)

sábado, 3 de abril de 2010

Um dia.

Um dia volto-te a ver. É que eu tenho a certeza que sim. Não tenho dúvidas. Um dia, voltamo-nos a ver!
A
gora não sei. Não sei se petrifico, e tu nem reparas. Não sei se me atrapalho e ignoro. Se te atrapalhas e ignoras. Se nos atrapalhamos e ignoramos. Se sorrimos e deixamos passar. Se… se… se… se eu olho para ti. Ou tu para mim. Ou se olhamos os dois e os nossos olhares se cruzam. Se nos cumprimentamos, como crescidos que somos (se bem que, tu sempre foste crescido…!) ou se o meu coração pára (porque é que eu tenho a sensação que ele vai parar, em qualquer uma das hipóteses?), e eu perco a noção que já sou crescida (bem, idade eu tenho… agora, serei mesmo crescida? Algum bocadinho?) e corro para ti. E abraço-te. Abraçamo-nos. Como na penúltima vez. Lembras-te? Fazemos um mundo louco parar à nossa volta. Com um abraço nosso. Com os olhos cheios de lágrimas. Com a alma a transbordar de tudo o que há de bom. Tão cheia que não cabe em lado nenhum.
Sabes? Acho que foi nesse dia que me apaixonei por abraços. Porque me perdi, no teu. O culpado és tu! Se naquele dia me dissessem que ia ficar anos sem te ver, ia-me perder a rir! Eras tanto para mim! Mas acho que só agora, depois de tanto tempo. Só agora é que tenho noção do tanto que tu és, em mim. Irrita-me. Quer dizer, irrita-me às vezes. Outras vezes, acho que é do mais bonito que há. Mas a verdade é que, quando sei de ti (o que não é nada comum) estremeço, tal e qual aquela criança que ambos conhecemos. A verdade, é que posso quase jurar que o brilho no olhar permanece o mesmo. Permanece igual. Quando me lembro de qualquer coisa que se ligue a ti.
Um dia volto-te a ver, e vou ter mil coisas para te contar e outras mil para perguntar. Um dia voltamo-nos a ver, e nesse dia juro que me chega um abraço. Um que seja mesmo nosso. Juro que sim.

sexta-feira, 26 de março de 2010

‘ohh ohh! Mas gravas não?! E vamo-nos vendo, não é?!’ ‘Sim, claro que sim. Sempre!!’

Ninguém percebe, eu acho. E percebo, porque a verdade é que, muitas vezes, nem eu percebo. Mas sinto, e é tão bom. É a velha historia que tanto defendemos ‘só quem sente é que sabe!’. Não vou mentir, vou sempre à espera de qualquer coisa. E ele faz com que a fasquia seja alta. Mas pelos vistos ainda não sei esperar à altura dele. Supera-se sempre. Desarma-me num segundo. E depois eu perco-me. Desoriento-me. E só digo o que não devo. E a culpa é dele. Toda. Ninguém o manda ter um coração, assim, sem medida.
Ninguém percebe, o orgulho. O valor que tem. O ser mutuo. Verdadeiro. E por não se ganhar nada, acaba por se ganhar tudo. Tudo o que o coração sente. Tudo o que o faz tão cheio, de tudo o que há de bom. E ainda lhe digo ‘obrigado’, mas chateia-me ter noção que mil ‘obrigados’ não chegam! Adoro-o, e ele sabe. Eu sei que sim. E espero que isso consiga agradecer um pouco, do tanto que ele é. Espero mesmo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Há dois sentimentos que nos ligam às pessoas. Às nossas. Às verdadeiras. Quando somos de verdade um dos outros. Uns com os outros. Na vida uns dos outros. Não há outra hipótese. Eu, na minha vida, não meto outra hipótese. Quando acreditamos mesmo ‘ser para sempre’ não é só amizade que nos liga uns aos outros. Não pode ser. Quando somos e acreditamos mesmo, que somos de verdade, tem que haver amor. Quando deixamos que um outro alguém se confunda connosco, com o que somos mesmo, por dentro, tem que haver amor. Tem que se acreditar profundamente, no outro e em um nós, juntos.
E a parte do não há ‘para sempres’ é mentira. A verdade é que se as amizades acabam, o amor que nos liga não. Tem que mudar. Tem que se alterar. Mas quando é verdadeiro, é mesmo para sempre. Existem zangas. As pessoas mudam. Mudam os feitios. Os interesses. A vida por vezes muda os sentidos. E tudo isto pode fazer uma amizade acabar. Não um amor.
E o que nos mata muitas vezes por dentro é não saber distinguir isto. É mesmo difícil e às vezes, acabamos por manter uma amizade na base do que nos liga. Não nos entende-mos. E magoamo-nos, tanto. Uns aos outros.
É preciso fazer a distinção, por mais que nos mate. É preciso aceitar o que foi e já não é, para saber viver o que é, agora, cada vez mais. Ou o que está agora a nascer. Quando o que nos liga é tão grande, é preciso aceitar que alguma coisa morreu, para que nasça outra, maior e mais completa. Que nos complete como já não completava.
Há vezes em que é preciso deixar as pessoas ir. E outras em que não é preciso nada, porque existem amizades e amores que são sempre, mesmo para sempre.

sábado, 20 de março de 2010

Inconveniência

Irritam-me pessoas. Pessoas irritam-me. Irritam-me pessoas inconvenientes. É que irritam-me tanto. Cada vez mais.
Há dois tipos de pessoas inconvenientes: as naturais. Que são assim e pronto. Espontânea e inocentemente. Não pensam, nem conseguem ter tempo para manobras. Está pensado e está dito. E nem há consciência depois. Ou há um ‘oh, que é que tem?’ e entretanto já se está noutra (outra inconveniência, a maior parte das vezes :P). ou nem se percebem as trocas de olhares ou os sorrisos incomodados. E havia de se perceber porquê? Foi só mais uma conversa. Só mais uma frase, no meio de tantas outras. Nada mais normal, não é?
Esta naturalidade não se encena, nem se pratica. Sente-se. Percebe-se. E acham que é isto que me irrita? Obvio que não! Não sei se talvez será ingenuidade minha mas, eu só me consigo rir com estes momentos. E não é sequer um rir de gozo. Divirto-me a sério. Porque sinto uma genuinidade tão grande. Uma autenticidade inocente. Que esta inconveniência não incomoda. Não pode incomodar.

Depois há o outro tipo. Pessoas inconvenientes com consciência. Que pensam e sabem bem que no meio de tantas frases há Aquela que não é inocente. Mas como vai no meio de tantas outras, vai camuflada de tal modo que não há reacção imediata possível. Não há sequer espaço para que seja possível tal reacção. O objectivo é que ela seja seca e que moa. E fundo. Mais tarde ou mais cedo.
Pessoas que soltam as bocas e os discursos maliciosos por entre risinhos e gargalhadas suaves, para que até pareça mal qualquer reacção mais abrupta e incrédula.
Devia ser explicito que inconveniência não passa de pura falta de educação. É feio, se preferirem.

Gosto de pessoas directas. Duras, se tiver que ser, mas francas. Sempre. No momento certo, ou noutro qualquer. Se não houver hipótese.
Não gosto de ‘inconvenientes conscientes’. Irritam-me.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sentou-se no chão, onde podia ser só e apenas ela. Olhou para o caminho que ficara para trás e apercebeu-se que se desorientou. Não se perdeu, nem deixou de seguir o caminho certo mas desorientou-se algumas vezes. Perdeu tempo com hesitações. Tropeçou. Caiu. Levantou-se. Mas terá sido sempre da melhor forma? Não terá perdido tempo durante as suas quedas? Demasiado tempo até se levantar de novo?

Sentada no chão pergunta-se ‘quando é que deixaste de sonhar?’ e pára. Pára e pensa. Ela não deixou de sonhar. Ela é feita de sonhos. Toda ela é feita de sonhos. Toda. Toda. Tantos. Tantos. ‘exacto! Então quando? Porque é que deixaste de acreditar que tudo é possível?’, ‘oh, eu não… deixei! Se calhar deixei. Oh merda cresci! Cresci e deixei isso pelo caminho! Posso voltar atrás?’, ‘Deixas-te os sonhos para trás? Se deixas-te eles ficam. Já não voltam.’, ‘não, trago-os comigo. Sempre. Sempre. Só não sei. Não sei acreditar como antes.’ ‘pega no saco!’ ‘qual?’, 'esse! Esse onde guardas-te e fechas-te os sonhos. Isso que é o teu coração. Abre-o e solta-os. Sem medo do que poderá ser dito. Deixa-os viver e respirar. Depois, acreditar é fácil. Tão fácil.'

‘Como quando passamos metade do nosso dia a pensar e a querer muito uma coisa e a outra metade a pensar que não podemos pensar, nem querer tão pouco. E quando acontecem determinadas situações que reforçam o que pensamos e passamos os dias entre ‘é tudo coincidência’ e ‘mas bolas, são coincidências a mais!’’ ‘Oh sim! Isso também é sonhar! Mas não feches esses pensamentos no tal saco. Não os prendas. Nem os negues. Solta-os, livres. Deixa-os viver e respirar. Assim, acreditas!’, ‘acredito :), e depois?’, ‘oh, lutas. Lutas sempre. Nem que seja só a acreditar.’ :)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Gosto de momentos. Simples e sem encenações. Momentos que dissolvem os problemas que nos assombram os dias. Que dissolvem barreiras, ou as ultrapassam. Que relativizam tudo aquilo que não nos deixa viver com o coração todo. Livre. Que fazem os tropeções desaparecer, como num passe de magica. Fazem com que não nos lembremos daquilo que parece impossível esquecer. Fazem com que situações se tornem meros pormenores, no meio de tanto que há para viver.
Gosto de sorrir. Gosto de rir. De gargalhadas. Rir do que for. Do que nem razão tem. Rir porque sim, sem respostas a porquês. Gosto de pessoas tão diferentes, mas que acabam por se tornar parte. Porque sentem o que sentimos, assim, como nós. E acabam por ser muito mais iguais do que tantos outros.
Gosto de fechar os olhos a ouvir e sentir tudo tão parte de mim. De me sentir tão cheia de tudo. Gosto de abrir os olhos e de sentir aq
uele ambiente tão meu. De nos sentir tão nós, ali. De nos percebermos, sem palavras. Nem hesitações.
É tanto o que se vive. É tanto o que fica. É tanto o que nos dá. Sempre, sempre. Tanto.

[Não gosto de quem as faz de mansinho. No meio de gargalhadas. Como se não fosse nada e não tivesse importância. Julgam que tem, e acabam mesmo por não ter. porque não me chateio. Fico só com pena. Não sentem o que eu sinto. Nem sabem. E gostam de se fazer superiores. Pfff!

Não gosto de fazer um esforço para estar tudo bem. E que percebam que não, afinal não está.]

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Expectativa.

Expectativa. É inevitável e incomodativa. Prende-se. Cola-se a nós. Por mais que a recusemos, ela impõe-se. Torna-se a base do que pensamos. Sentimos. Idealizamos para o depois. Tornamo-nos dependentes, quando o que esta nos traz de mais certo é dúvida, incerteza e erro. Projectamos ‘o amanhã’, na base do que vivemos ‘ontem’. E esquecemo-nos de que cada momento que passou, deixa de ser o que efectivamente foi, para se misturar com o que relembramos dele, com os sentimentos despertados, que ficaram. E haverá coisa mais duvidosa do que aquilo que sentimos?

E depois esperamos sempre dos outros, sempre. E mesmo que tentemos esperar, com o máximo esforço, apenas o imprescindível, o provável, o necessário, mesmo assim, esperamos sempre demasiado. E a desilusão é sempre inevitável. Sempre. E somos, na maioria das vezes, nós mais culpados do que quem nos acaba por desiludir. Porque não há pessoas diferentes. Não há pessoas assim tão diferentes e devíamos saber isso. E nem pode haver quando as pessoas têm por base a mesma sociedade limitadora, preconceituosa, discriminatória e rotuladora. E por mais que eu acredite verdadeiramente e que saiba mesmo que as pessoas nem são assim, é impossível e ninguém rompe com a sociedade. Por isso, aprendi que não há excepções. Não há quem não acabe por se render aos padrões impostos. Não há coragem suficiente para ser diferente. Não há quem um dia não me venha a desiludir e a magoar. E é por saber disto que acaba por doer menos? Não. Porque não é por saber disto que a expectativa desaparece. O que me irrita, porque devia e acontece sempre o oposto: ela cresce. Cresce e eu magoo-me. E uma coisa que admiro em mim é a capacidade de seguir em frente e ultrapassar. Admiro, mas isso irrita-me. Pode ser que um dia tudo mude. E nesse ‘pode ser’, lá continua ela: a estupidez da expectativa irritante.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Peguei em momentos e fragmentei-os. Destaquei pequenos instantes, daqueles que aumentam o coração e fazem parar um mundo inteiro. Juntei-os. Limei arestas. E o resultado foi um puzzle. Perigoso, mas bonito. Perigoso. Mas. Tão bonito. Faz o sorriso sentir. Faz o coração quente. É bom, mesmo.

E é muito deste puzzle o que quero para este ano. Se o contasse, a resposta ou a expressão seriam de um ‘porque não!’. Como o guardo em mim, por aqui ecoa um ‘porque não?’, e enquanto fizer sorrir e o coração grande, vai continuar assim. Porque pode mesmo ser que sim. :)

De 2009 fica imenso, mesmo. Fica sobretudo uma Ana maior. Porque sou feita de mais pessoas. Porque muitos do que já cá estavam, ficaram maiores. E eu gosto tanto disso. Gosto muito deles. E agradeço aos que apareceram e ficaram. Aos que já cá estavam e que cresceram em tudo o que ‘somos’. Obrigado por cada momento que já foi, mas sobretudo, pelos que ainda vão ser. Por tudo o que somos e por tudo o que ainda vamos ser. Juntos.

Sejam felizes em 2010. Que seja um grande ano.